12 AGO 2025
Santa Catarina lança plano histórico de combate à violência contra a mulher
Santa Catarina deu um passo histórico e pioneiro nesta terça-feira (12) com o lançamento do Plano Estadual de Combate à Violência contra a Mulher, apresentado pelo governador Jorginho Mello e pela vice-governadora Marilisa Boehm, no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), em Florianópolis. Com vigência de 10 anos, o plano representa um compromisso de longo prazo para ampliar e qualificar as políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.
De 1º de janeiro a 11 de agosto de 2025, o Estado registrou 31 feminicídios, contra 34 no mesmo período de 2024. A queda de 8,82% não é desprezível, mas está longe de permitir qualquer acomodação: cada número é uma vida interrompida e um alerta de que ainda estamos diante de um grave problema social.
Segundo o governador, trata-se de um “plano robusto, construído pela primeira vez aqui em Santa Catarina, que olha para os próximos dez anos e traz medidas concretas para proteger as mulheres e combater a violência de gênero”. Ele reforçou que não se trata apenas de um documento, mas de um compromisso de Estado e de toda a sociedade.
A marca pessoal de Marilisa Boehm
A vice-governadora Marilisa Boehm teve papel determinante na construção do Plano Estadual de Combate à Violência contra a Mulher. Delegada de carreira e defensora histórica dos direitos das mulheres, Marilisa não escondeu a emoção ao ver concretizado o que descreveu como “um sonho realizado”: a implantação de um plano estruturado, com metas e integração entre órgãos para proteger e amparar mulheres catarinenses.
“Formamos um colegiado que se reunirá semestralmente para dar sequência às ações, com foco em prevenção, proteção e, acima de tudo, conscientização e educação. Precisamos trabalhar desde cedo, nas nossas escolas, para ensinar nossas crianças que agredir uma mulher é crime e que todos são iguais perante a lei. Será um marco na história de Santa Catarina, pois poucas unidades da federação têm algo tão estruturado, e temos certeza de que seremos modelo para o Brasil”, afirmou, visivelmente emocionada.
Sua trajetória profissional e o engajamento pessoal deram ao plano um caráter ainda mais legítimo e comprometido, reforçando a importância de lideranças que conhecem de perto a realidade que pretendem transformar.
Cinco eixos estratégicos e metas ambiciosas
O plano foi elaborado de forma integrada, envolvendo as Secretarias de Segurança Pública, Assistência Social, Mulher e Família, Educação e as Forças de Segurança. São cinco eixos principais: Prevenção e educação; Atendimento e proteção; Responsabilização e reeducação dos agressores; Monitoramento e produção de dados; Avaliação e aprimoramento constante.
Entre as ações previstas estão: Fortalecimento da Rede Catarina de Proteção à Mulher; Criação de salas reservadas para atendimento especializado nas unidades da Polícia Científica; Expansão das delegacias especializadas de 32 para 56 até o fim do plano; Programas e grupos de reeducação para agressores; Campanhas educativas nas escolas e capacitação de profissionais para identificar e encaminhar casos de violência.
A Assistência Social terá papel central no acolhimento e na proteção das vítimas, enquanto a Educação será um pilar para conscientização e prevenção, com ações permanentes e integradas ao sistema de monitoramento. O lançamento deste plano não pode ser visto como um ato simbólico ou um evento isolado. É um marco, sim, mas o verdadeiro teste será a execução constante ao longo dos próximos dez anos. Planos não mudam realidades sozinhos; são as ações, os investimentos e o compromisso contínuo de toda a sociedade que farão a diferença.
*Foto: Richard Casas/GVG


