18 AGO 2025
BR-282: sem recursos e com prazos distantes, DNIT empurra soluções enquanto acidentes se acumulam
O corte orçamentário do DNIT para 2025 ameaça até medidas emergenciais na BR-282 e adia soluções estruturais no trecho entre Palhoça e Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis. Embora a autarquia reconheça que a duplicação é o único caminho definitivo, os prazos continuam desanimadores: os projetos de terceiras faixas e novos acessos – contratados em 13 lotes – devem ficar prontos apenas em 2026, com previsão de licitar obras no primeiro semestre do próximo ano. Enquanto isso, fala-se em intervenções pontuais e de baixo custo, insuficientes diante do histórico de colisões e mortes.
Na tarde desta segunda-feira (18), a Comissão de Transportes e Desenvolvimento Urbano realizou, no Plenarinho, audiência pública proposta pelo deputado Junior Cardoso (PRD) para discutir os gargalos da BR-282. A reunião reforçou o que usuários e gestores locais já sabem: a rodovia segue crítica para a mobilidade regional, para o desenvolvimento econômico e, sobretudo, para a segurança de quem precisa usá-la diariamente.
Um dos pontos mais sensíveis é o acesso à estrada que leva ao mirante da Serra da Boa Vista, em Rancho Queimado. A necessidade de uma rotatória ou trevo é consenso, mas não há solução de curto prazo. Em Santo Amaro da Imperatriz, a alternativa em estudo é a instalação de novas lombadas de elevação em trechos com alta incidência de acidentes; a superintendência do DNIT/SC afirma que ouvirá lideranças locais para definir os pontos.
O superintendente substituto do DNIT em Santa Catarina, Amauri Souza Lima, foi taxativo ao classificar a duplicação como solução definitiva – ainda distante. No intervalo, as chamadas “ações emergenciais” se resumem às lombadas em Santo Amaro e ao mapeamento de trechos críticos.
Os depoimentos mostraram o custo humano da demora. O prefeito de Rancho Queimado, Tiago Schultz (PL), lembrou que a maioria dos moradores conhece vítimas da BR-282 – ele próprio perdeu o irmão em um acidente há dois anos. O secretário de Trânsito de Santo Amaro, Luiz Gonzaga dos Santos, citou a frequência de colisões nos trevos da Varginha e da New Time. O vereador Policial Leon (PL) cobrou a inclusão de áreas de escape para caminhões em descidas íngremes. A Polícia Rodoviária Federal, representada por Leandro Andrade, reforçou a urgência de investimentos também em educação para o trânsito.
A agenda federal, no entanto, não acompanha a urgência dos fatos. Com o corte orçamentário no DNIT para 2025, até ações de baixa complexidade correm risco. “Seguiremos vigilantes, em parceria com os municípios”, disse o deputado Junior Cardoso.
A audiência pública deu voz às comunidades e consolidou prioridades locais. Agora, é transformar diagnóstico em compromisso, com prazos reais, contratação de projetos sem interrupções e início das obras que efetivamente salvam vidas. Cada dia de atraso mantém a contagem de vítimas em aberto.


