10 SET 2025
Rodovias federais: a encruzilhada de Santa Catarina; Alesc aprova Moção ao Governo Federal pela recomposição dos recursos contingenciados
As rodovias federais voltaram a dominar os discursos na Assembleia Legislativa nesta semana. Parlamentares, de diferentes partidos, ocuparam a tribuna para alertar sobre cortes de verbas, obras paralisadas e gargalos que comprometem a mobilidade, a economia e, sobretudo, a segurança dos catarinenses. O debate, embora diverso em argumentos, teve um ponto de convergência: a urgência em garantir que o tema permaneça na linha de frente da pauta estadual.
Moção contra cortes
O deputado Antídio Lunelli (MDB) chamou a atenção para o corte de R$ 600 milhões no orçamento do DNIT-SC. A Assembleia aprovou moção que será encaminhada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, à direção nacional e regional do DNIT, ao Congresso Nacional e ao Fórum Parlamentar Catarinense, cobrando a recomposição imediata dos recursos.
Os números apresentados pelo parlamentar são alarmantes: Santa Catarina ocupa hoje o 3º lugar no ranking nacional de acidentes em rodovias federais, com 160 ocorrências a cada 100 km — mais que o triplo da média nacional, de 50. E ainda mais grave: o estado lidera o número de mortes, com 10 óbitos a cada 100 km, frente à média brasileira de 4. “Esses números mostram que não se trata apenas de um problema de infraestrutura, mas de vidas, de respeito ao cidadão”, afirmou Lunelli.
O contingenciamento ameaça diretamente obras de duplicação, manutenção e ampliação em rodovias estratégicas como a BR-470, BR-280, BR-282, BR-285, BR-153 e BR-163. Para Lunelli, é inaceitável que um estado que se destaca pela pujança econômica, depende fortemente de sua malha rodoviária e de seus portos, tenha suas obras paralisadas por falta de recursos federais. “Não há desenvolvimento sem infraestrutura de qualidade. Santa Catarina produz, gera empregos e riqueza para o Brasil. O mínimo que se espera é que o Governo Federal dê condições para que o estado continue crescendo com segurança e competitividade”, reforçou.
Debate político e comparações
Neodi Saretta (PT) destacou que, em comparação a 2022, houve aumento significativo de aportes em rodovias federais nos últimos anos, ultrapassando R$ 1 bilhão. Já Carlos Humberto (PL) saiu em defesa do governo Bolsonaro, justificando a priorização de recursos na pandemia.
Maurício Peixer (PL) resgatou a longa espera pela duplicação da BR-280, aguardada desde 2014 no Norte do estado. Mais de 50 mil veículos trafegam diariamente no trecho entre Joinville e São Francisco do Sul, mas a obra permanece distante da realidade. Já Napoleão Bernardes (PSD) foi enfático ao classificar como “inferno em vida” o trecho da BR-101 entre Itapema e Barra Velha, onde a imprevisibilidade virou regra para quem precisa se deslocar. Ele lembrou que, se o Contorno Viário da Grande Florianópolis mostrou eficiência ao retirar 7 mil caminhões por dia da região, outras alternativas como a Via Mar (BR-102) e melhorias urgentes na BR-470 são indispensáveis para que a reforma tributária, em vigor a partir de 2033, não deixe Santa Catarina ainda menos competitiva.
Napoleão Bernardes (PSD), elogiou o Contorno Viário da Grande Florianópolis, que após um ano de utilização já desvia 7 mil veículos pesados ao dia, evitando o caos na área metropolitana. Aproveitou para defender a necessidade de uma alternativa urgente para o trecho Norte da BR-101, entre Itapema e Barra Velha, que ele considera como “um inferno em vida para seus usuários”, reforçando que ali ninguém consegue prever tempo de deslocamento.
Muito além de discursos
Os pronunciamentos mostram que há consciência coletiva sobre a gravidade do problema, mas a indignação ainda não se traduz em resultados concretos. As rodovias de Santa Catarina não podem continuar sendo moeda de troca em disputas partidárias ou reféns de orçamentos contingenciados. O custo é pago com vidas, com atrasos, com menos desenvolvimento.
Foto: PRF/SC – BR-282/SC


