04 NOV 2025
Crise do leite: entidades pressionam o governo federal e ganha força projeto de lei contra reconstituição de leite em pó importado
A crise do leite brasileiro chegou a um ponto insustentável. Não é apenas uma questão de mercado, mas o colapso de uma cadeia produtiva essencial, formada majoritariamente por pequenas e médias propriedades que sustentam a segurança alimentar do país. Com o preço pago ao produtor abaixo do custo de produção, o setor vive uma situação dramática. A crise do leite no Brasil em 2024-2025 apresenta números alarmantes, marcados principalmente pela queda de 19% no preço pago ao produtor em um ano e pelo aumento recorde das importações.
Nesta semana, o Conseleite-SC, o Sindileite-SC e a Faesc divulgaram um comunicado pedindo medidas urgentes ao Governo Federal. Assinada pelos dirigentes Selvino Giesel (presidente do Conseleite/SC e do Sindileite/SC) e por José Zeferino Pedrozo (presidente da FAESC), a manifestação defende que o Ministério da Agricultura suspenda temporariamente as importações de leite em pó e queijo muçarela do Mercosul por pelo menos seis meses, entre outras providências. A principal reivindicação é a suspensão temporária dessas importações por seis meses, além de auditoria nos certificados sanitários, compra pública de leite pela Conab, revisão da carga tributária em Santa Catarina e fiscalização rigorosa da rotulagem de produtos importados. O objetivo é restabelecer o equilíbrio do mercado e garantir isonomia com os produtores nacionais.
Enquanto o setor produtivo pressiona Brasília, o movimento em defesa do leite brasileiro ganha força nas bases. Câmaras de Vereadores em Santa Catarina e no Paraná vêm aprovando moções de apoio ao Projeto de Lei 4.309/2023, da deputada federal Daniela Reinehr, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para venda como leite fluido no país. A prática, segundo a parlamentar, desvaloriza a produção local e ameaça a sobrevivência de milhares de famílias rurais.
A mobilização se espalha por todo o Sul do Brasil e demonstra a dimensão do problema. Mais do que uma crise econômica, o que está em jogo é a soberania alimentar. Suspender importações pode ser um passo emergencial, mas o país precisa ir além: valorizar o produtor nacional, garantir crédito, fiscalizar fronteiras e planejar políticas de longo prazo.


