19 NOV 2025
Cuidar de quem cuida: um passo que ultrapassa a burocracia e toca a vida real
Há projetos de lei que passam pelas comissões da Alesc com a naturalidade do rito legislativo. E há aqueles que carregam, junto com as páginas, as histórias silenciosas de milhares de mulheres que vivem uma rotina que poucos conseguem enxergar. O Programa Cuidando de Quem Cuida, de autoria do deputado estadual Camilo Martins (Podemos), aprovado por unanimidade na Comissão de Finanças, pertence a essa segunda categoria: a das iniciativas que não são apenas necessárias — são urgentes.
Quem convive com mães atípicas sabe: antes de qualquer debate técnico, existe um cotidiano exaustivo, cheio de amor, mas também de sobrecarga, inseguranças e jornadas que começam cedo e terminam tarde, muitas vezes sem qualquer apoio emocional, social ou econômico. São mulheres que administram terapias, laudos, escolas, crises, desafios neurológicos, consultas e incertezas. E que, apesar de tudo, seguem carregando seus filhos e o mundo nos braços.
O projeto reconhece essa realidade sem romantizá-la. Ao prever orientação psicossocial, acompanhamento psicológico, atendimento terapêutico, ações de saúde integral e apoio socioassistencial, ele coloca na pauta o óbvio que o poder público demorou demais para admitir: mães atípicas também precisam ser cuidadas.
A proposta também avança ao valorizar a autonomia dessas mulheres, oferecendo meios para desenvolver competências socioeconômicas e ampliar o acesso à rede de proteção. É uma política pública que entende que cuidar não é sinônimo de sacrificar-se — e que saúde mental materna é, sim, questão de Estado.
Agora o texto segue para outras três comissões — Trabalho, Direitos Humanos e Família, e Saúde — antes de chegar ao plenário. O avanço foi comemorado por Camilo Martins, que lembrou que a maternidade atípica exige muito mais do que afeto e resiliência: exige estrutura.
Ao defender o projeto, o parlamentar sintetizou o espírito da proposta: “É preciso cuidar dessas mães para que elas tenham apoio para cuidar dos seus filhos.” Uma frase simples, mas que carrega um entendimento profundo sobre humanidade, responsabilidade e justiça.
Se aprovado, o Programa Cuidando de Quem Cuida não será apenas uma nova lei em Santa Catarina. Será um marco para milhares de mães que enfrentam suas batalhas praticamente sozinhas — e que merecem, mais do que nunca, serem vistas, ouvidas e amparadas.


