26 JAN 2026

Da indignação à lei: o impacto do caso Orelha e a violência que a sociedade precisa enfrentar

O caso do cão comunitário Orelha, espancado até a morte por adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis, atravessou as fronteiras de Santa Catarina e chocou o país. Não é apenas mais um registro policial — é um retrato duro de uma violência que começa cedo demais e que exige respostas firmes do poder público e da sociedade.

A revolta foi imediata. Não só pela brutalidade do ato, mas pela frieza de quem teve coragem de agredir até a morte um animal indefeso. A violência contra animais sempre foi um alerta. Ela fala de valores, de limites e, muitas vezes, de um ambiente onde a empatia não foi ensinada — ou foi negligenciada.

Diante da comoção, o governador Jorginho Mello (PL) prometeu investigação rigorosa e punição aos responsáveis. É o mínimo que se espera de um Estado que se orgulha de seus índices de segurança e de qualidade de vida. O silêncio institucional, neste caso, seria cumplicidade.

Mas o episódio também escancarou uma lacuna legal. E foi nesse ponto que o debate avançou. O deputado estadual Mário Motta (PSD) apresentou o projeto conhecido como Lei Orelha, que propõe responsabilização administrativa de pais ou responsáveis quando crimes de maus-tratos contra animais forem cometidos por menores de idade. Multa em dobro em casos de lesão grave. Multa em triplo quando houver morte.

Não se trata de vingança. Trata-se de responsabilidade. E, sobretudo, de prevenção.

A legislação atual, ao isentar completamente pais ou responsáveis, acaba transmitindo uma mensagem perigosa: a de que não há consequência alguma quando a violência é praticada por quem ainda não responde penalmente. A Lei Orelha inverte essa lógica ao reconhecer que educar também é assumir responsabilidades — inclusive legais.

Minha opinião é direta e sem rodeios: choca, assusta e entristece perceber que adolescentes sejam capazes de tamanha crueldade. Quem maltrata um animal não comete um “ato isolado”. Comete um gesto que revela uma ruptura grave de valores humanos básicos. Ignorar isso é fechar os olhos para problemas que, amanhã, podem se manifestar de forma ainda mais grave.

O projeto agora segue para tramitação na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Caberá aos parlamentares decidir se o clamor social será ouvido ou se mais uma tragédia será arquivada como estatística.

Orelha não volta. Mas sua morte pode — e precisa — gerar mudanças. Porque proteger os animais é, no fim das contas, proteger a própria sociedade.

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