20 FEV 2026
Governo de SC institui política de educação profissional e projeta 50 mil novas vagas em cursos técnicos
Há muito tempo, Santa Catarina construiu uma identidade fortemente ligada ao trabalho, à inovação e à capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento. Não por acaso, o ensino profissionalizante sempre ocupou um lugar estratégico nesse processo. Em um estado marcado por diversidade econômica e vocações regionais tão distintas, fortalecer a educação técnica é, antes de tudo, uma decisão de política pública com impacto direto no futuro.Nesse contexto, chama atenção o lançamento da Política de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) pelo governo catarinense, por meio da Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina. A iniciativa consolida diretrizes para a oferta do ensino técnico alinhado às demandas do mundo do trabalho e estabelece bases mais sólidas para a formação da juventude.
Um dos indicadores mais expressivos desse movimento é o crescimento de 150% nas matrículas do ensino técnico após a criação do Programa Catarinense Técnico (CaTec). O dado, por si só, revela que existe demanda, interesse e, principalmente, necessidade. Para 2026, a previsão de 50 mil novas vagas em cursos técnicos, por meio do CaTec+, amplia ainda mais o alcance dessa política.
O governador Jorginho Mello resume a essência da proposta ao afirmar que Santa Catarina tem no ensino técnico um de seus grandes diferenciais e que ampliar oportunidades significa permitir que os jovens concluam a escola mais preparados, com formação prática e um diploma que abre portas no mercado de trabalho. A frase traduz um entendimento que deveria ser consenso: não basta garantir acesso à escola, é preciso assegurar que esse acesso resulte em autonomia, empregabilidade e perspectivas reais de futuro.
Outro aspecto relevante é o caráter coletivo da construção da política. Representantes das redes públicas e privadas de ensino profissional, associações, federações, conselhos regionais e instituições ligadas ao setor produtivo participaram do debate. Esse diálogo entre educação e mercado é fundamental para evitar o descompasso entre o que se ensina e o que, de fato, é demandado.
Santa Catarina vive um momento em que falta mão de obra qualificada em diversos setores. Ao mesmo tempo, milhares de jovens buscam seu primeiro emprego ou uma oportunidade de inserção profissional. O ensino técnico, integrado ao ensino médio, funciona como ponte entre essas duas realidades.
Mais do que números, a Política de Educação Profissional e Tecnológica sinaliza uma mudança de mentalidade: a de que a escola pode e deve dialogar com a vida concreta dos estudantes, com as vocações regionais e com os projetos de desenvolvimento do estado. É uma agenda que ultrapassa governos e precisa ser tratada como política de Estado.
Investir em educação profissional não é apenas formar trabalhadores. É formar cidadãos mais autônomos, reduzir desigualdades, estimular inovação e fortalecer a economia. Em um cenário de rápidas transformações tecnológicas e novas exigências do mundo do trabalho, iniciativas como essa mostram que Santa Catarina busca se antecipar aos desafios — e não apenas reagir a eles.
Se bem implementada e acompanhada, a ampliação do CaTec e a consolidação da EPT têm potencial para se tornar um dos pilares do desenvolvimento catarinense nas próximas décadas. E isso, sem dúvida, é uma notícia que merece atenção.


