04 MAR 2026
Saúde em pauta na Alesc: transparência, prevenção e inclusão no calendário especial
O primeiro dia do calendário especial da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira, 4 de março, por causa do período eleitoral, trouxe um recado direto: saúde não espera o ritmo da política. Em poucas horas de Plenário, três temas apareceram com força e, juntos, mostram um eixo comum: gestão mais transparente, prevenção como prioridade e inclusão no atendimento.
O deputado Mário Motta (PSD) anunciou o lançamento do portal “Saúde Nota 10”, voltado à fiscalização da gestão da Secretaria de Estado da Saúde. A plataforma promete abrir ao público dados sobre contratos, execução e valores empenhados em obras e serviços nas unidades administradas diretamente pela SES — incluindo 10 hospitais, três maternidades, o Laboratório Central e o Centro Catarinense de Reabilitação. A ideia, defendida pelo parlamentar, é simples e necessária: mais detalhamento para qualificar o debate e fortalecer o controle social, especialmente num setor em que a população mede o serviço na prática, pela fila, pela estrutura e pelo tempo de resposta.
Na mesma sessão, o deputado Neodi Saretta (PT), presidente da Comissão de Saúde, usou a tribuna para reforçar a conscientização sobre câncer de intestino e obesidade, duas realidades muito presentes em Santa Catarina. Ele citou registros de 2,5 mil casos por ano do câncer e 983 óbitos em 2025, além de dados do Sisvan indicando que cerca de 69% da população tem obesidade ou sobrepeso. O alerta vai além do calendário de campanhas: prevenção exige continuidade, com estímulo a hábitos saudáveis, exames preventivos, diagnóstico precoce e uma rede organizada para tratamento — sem empurrar a conta para o indivíduo quando o sistema falha em oferecer acesso.
À tarde, o Plenário aprovou o PL 049/2023, do deputado Jessé Lopes (PL), que reconhece oficialmente o Cordão de Girassol como identificação de pessoas com deficiências ocultas no estado. O uso é facultativo, não substitui documentação quando exigida, mas passa a exigir reconhecimento por órgãos públicos, entidades e estabelecimentos privados, garantindo atendimento prioritário e adequado, além de prever campanhas educativas sobre o significado do símbolo. Na prática, é um passo para reduzir constrangimentos e acelerar o respeito a quem enfrenta limitações que não estão “à vista”.
Foto: Daniel Conzi – Agência AL


