11 MAR 2026
Mais uma promessa que não vira obra na BR-101
Mais uma vez, Santa Catarina vê uma solução anunciada se dissolver antes de virar obra. É esse o sentimento que volta a dominar o estado diante do fracasso nas tratativas para a repactuação do contrato de concessão da BR-101 Norte com a Arteris. O que em Brasília aparece como impasse técnico, aqui chega com outro nome: frustração. Frustração de quem enfrenta filas, transporta produção, depende da rodovia para trabalhar e convive diariamente com uma estrutura saturada.
A confirmação de que não houve acordo repercutiu com força na Assembleia Legislativa. Parlamentares de diferentes regiões, especialmente do Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis, reagiram com indignação. E não sem motivo. A BR-101 Norte já não é apenas uma rodovia problemática. Tornou-se símbolo da dificuldade de transformar promessas, reuniões e anúncios em intervenções concretas num dos trechos mais estratégicos para a economia catarinense.
Mais do que um contrato que não avançou, o que se desgasta é a confiança de que o estado verá, algum dia, sair do papel obras essenciais para devolver fluidez e segurança a um corredor logístico já colapsado. Quando se anunciam soluções e elas não se materializam, o prejuízo deixa de ser apenas político. Ele é social, econômico e humano.
A Fiesc foi precisa ao afirmar que o impasse compromete o desenvolvimento socioeconômico do estado. E compromete mesmo. A BR-101 Norte é eixo de circulação de mercadorias, turistas, trabalhadores e serviços. Quando ela trava, trava junto uma parte da dinâmica catarinense. O que deveria impulsionar competitividade passa a funcionar como gargalo permanente.
A ausência de uma saída reforça uma sensação conhecida: Santa Catarina aponta os problemas, mobiliza lideranças, apresenta argumentos técnicos e econômicos, mas segue sem ver sua urgência tratada na dimensão de sua importância. Os trechos críticos são conhecidos, o colapso é visível, os acidentes se repetem e a resposta concreta continua insuficiente.
Não se trata apenas de uma cobrança política ou empresarial. A crise da BR-101 atinge a vida das pessoas. Afeta moradores das cidades do entorno, encarece a logística, desgasta o turismo, aumenta riscos e torna mais difícil a rotina de milhares de catarinenses e o pior: ceifa vidas.
No fim, o que mais revolta não é apenas o fracasso da repactuação. É perceber que, mais uma vez, uma solução foi anunciada, alimentou esperança e se desfez antes de virar obra. E é justamente essa repetição que aprofunda a sensação de abandono e corrói a credibilidade de quem promete, mas não entrega.


