01 ABR 2026
Jorginho Mello recompõe o primeiro escalão, sem mudar de eixo
As duas posses desta quarta-feira, 1º de abril, no governo Jorginho Mello ajudam a entender menos uma mudança de rumo e mais a reafirmação de um método. De um lado, Arão Josino assume a Secretaria de Estado do Planejamento. De outro, o coronel Fabiano de Souza retorna à Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, pasta que já comandou neste governo, ao mesmo tempo em que permanece no Comando-Geral do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, instituição que completa 100 anos em 2026.
No caso de Arão, a escolha carrega peso político e administrativo. Reeleito prefeito de Ascurra em 2024, ele deixou o cargo na segunda-feira, 30 de março, para assumir uma secretaria estratégica num governo que aposta na marca da execução. A troca ocorre após a saída de Fabrício Oliveira, que se descompatibilizou para atender às exigências da legislação eleitoral. Não se trata, portanto, de uma ruptura, mas de uma substituição pensada para manter o ritmo da gestão.
Arão chega ao Estado trazendo não apenas a experiência de prefeito, mas também uma trajetória vinculada ao municipalismo e à articulação regional. Já presidiu a Associação dos Municípios do Vale Europeu, ocupou a vice-presidência da Fecam e preside instâncias importantes de cooperação intermunicipal. É um perfil que combina gestão, diálogo político e trânsito entre os municípios, algo valioso para uma pasta que precisa pensar o Estado sem perder de vista as realidades locais.
Na Defesa Civil, o movimento tem outro significado, mas aponta na mesma direção. O retorno de Fabiano de Souza reforça uma lógica de centralização do comando em uma área em que coordenação, resposta rápida e articulação institucional são decisivas. A acumulação da secretaria com o comando dos Bombeiros já é adotada em outros estados e é vista como forma de integrar ainda mais duas estruturas que, na prática, já atuam de maneira complementar diante de desastres, emergências e ações preventivas.
Fabiano não é apenas um nome de confiança do governador. É um quadro com experiência reconhecida dentro e fora de Santa Catarina. Recentemente, teve sua trajetória referendada nacionalmente ao ser eleito por aclamação presidente da Ligabom, entidade que reúne os comandantes dos Corpos de Bombeiros Militares de todo o país. A escolha, portanto, não carrega improviso. Carrega continuidade operacional.
A saída de Mário Hildebrandt da Defesa Civil também se insere nesse contexto de rearranjo político-eleitoral. O movimento está ligado à desincompatibilização exigida pela legislação para quem pretende disputar a eleição de 2026. Isso ajuda a situar a troca mais como parte do calendário político do que como resultado de qualquer ruptura administrativa.
No fundo, as duas posses dizem a mesma coisa. No Planejamento, Jorginho Mello busca alguém com perfil político e executivo para sustentar a velocidade do governo. Na Defesa Civil, recoloca uma liderança técnica e operacional em uma área em que improvisar custa caro. São escolhas diferentes na forma, mas convergentes na intenção.


