29 ABR 2026
O Senado impôs a Lula uma derrota histórica
A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal vai além da perda de uma indicação. O Senado impôs ao governo Lula uma derrota política de grande alcance, justamente num terreno em que presidentes costumam medir força, articulação e capacidade de construir maioria. Por 42 votos a 34, o Planalto viu ruir uma escolha que carregava forte valor simbólico e institucional.
Não se trata apenas de uma vaga no STF. Trata-se do que a votação expõe. Indicar um ministro da Corte é um dos movimentos mais sensíveis de qualquer governo. Quando o Senado rejeita esse nome, o gesto deixa de ser administrativo e passa a ser político. O que saiu do plenário foi um recado claro: faltou ao governo segurança na articulação e sobrou resistência a um nome identificado demais com o próprio Planalto.
A derrota ganha ainda mais peso porque não surgiu de surpresa. Lula anunciou Jorge Messias ainda em novembro de 2025, mas a mensagem oficial ao Senado só foi enviada em abril de 2026. A demora já indicava dificuldade de ambiente e falta de convicção sobre os votos. Quando a matéria chegou ao plenário, a votação secreta apenas confirmou o que os bastidores já insinuavam: o governo entrou em campo sem ter o placar sob controle.
Também pesou o perfil do indicado. Jorge Messias chegou à sabatina carregando a imagem de homem de confiança de Lula. No papel, isso poderia ser um ativo. Na prática, virou munição para adversários e para senadores que decidiram marcar posição contra o avanço da influência política sobre o Supremo. Em casos assim, currículo importa, mas não basta. A política, quase sempre, entra antes.
Para o governo, o estrago não está só na cadeira que ficou vazia. Está na demonstração pública de fragilidade. Lula perde a indicação e perde, junto, a imagem de comando sobre uma agenda institucional central. O próximo nome, inevitavelmente, terá de nascer menos da vontade presidencial e mais da necessidade de reduzir resistências no Senado. Depois desta votação, o Planalto dificilmente repetirá o mesmo roteiro.
Entre os senadores catarinenses, Esperidião Amin foi o mais direto. Manifestou publicamente voto contrário e sustentou que sua posição era contra a forma de escolha e o que ela representava para o Supremo. Jorge Seif também vinha se posicionando contra a indicação. A votação em plenário foi secreta, mas é provável que os três senadores catarinenses tenham votado contrários a indicação.
*Na foto da Gazeta do Povo, Sóstenes abraça Messias


