01 MAIO 2026

Maio Amarelo e o trânsito que insiste em matar

Maio começa e, com ele, volta uma campanha que não deveria ser apenas simbólica. O Maio Amarelo existe para lembrar um problema que o país ainda trata com perigosa naturalidade: o trânsito segue matando todos os dias. Não se trata apenas dos grandes desastres ou das imagens que ganham destaque nos feriados prolongados. A tragédia é contínua, espalhada pelas cidades, avenidas, rodovias e cruzamentos, quase sempre alimentada pela pressa, pela imprudência e pela falta de respeito às regras mais básicas de convivência.

Os feriadões apenas escancaram o que já está posto na rotina. A cada operação especial, reaparecem os mesmos fatores: excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, mistura de álcool e direção, desatenção ao volante, descuido com o cinto de segurança e desrespeito ao pedestre. O saldo, quase sempre, é conhecido antes mesmo de ser fechado: mortos, feridos, famílias abaladas e um custo social que vai muito além dos números.

Em Santa Catarina, o Detran/SC abre a programação do Maio Amarelo 2026 com foco no uso consciente da faixa de pedestres. A escolha do tema é acertada porque toca num ponto central da mobilidade urbana: enxergar o outro. O trânsito deixa de ser apenas disputa por espaço quando o motorista entende que há ali alguém mais vulnerável, seja o pedestre, o ciclista, o motociclista, o idoso ou a criança. Segundo o Detran/SC, a campanha contará ao longo do mês com ações educativas, palestras, atividades em escolas, simuladores, blitzes de orientação e participação integrada de diferentes órgãos. É o caminho correto. Segurança no trânsito não se constrói apenas com fiscalização. Exige cultura.

E é justamente aí que a educação para o trânsito volta a se impor como prioridade. Não basta punir depois. É preciso formar antes. Formar condutores, mas também pedestres. Formar desde a infância. Ensinar que dirigir não é apenas dominar um veículo, mas entender limites, riscos e responsabilidades. Um trânsito mais humanizado não nasce da sinalização sozinha. Nasce do comportamento.

Nesse debate entram também as mudanças recentes nas regras para a carteira de habilitação. A proposta de facilitar o acesso e reduzir custos tem seu apelo, sobretudo num país em que muita gente dirige sem documento formal. Mas há um ponto que não pode ser relativizado: simplificar o processo não pode significar enfraquecer a formação. Quando se flexibiliza demais a etapa de aprendizagem, abre-se uma brecha preocupante. A CNH não pode ser tratada como mera formalidade administrativa. Ela precisa continuar sendo, antes de tudo, uma certificação de preparo.

O Maio Amarelo é importante justamente porque interrompe, ainda que por um mês, a banalização dessas perdas. Serve para lembrar que nenhuma morte no trânsito deveria ser vista como inevitável. O país não precisa apenas de campanhas. Precisa de constância, coerência e seriedade. E precisa, sobretudo, entender que, no trânsito, imprudência nunca é detalhe. Quase sempre, é dela que nasce a tragédia.

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