11 MAIO 2026
Nossos adolescentes estão adoecendo. O alerta sobre a saúde mental dos jovens precisa mobilizar toda a sociedade
O que o país está fazendo para mudar uma realidade em que uma em cada quatro meninas brasileiras diz que a vida não vale a pena ser vivida? Entre os meninos, o índice é de 12%. Quando a pergunta trata da vontade de se machucar de propósito, os percentuais sobem para 43,4% entre elas e 20,5% entre eles. E três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam sentir tristeza sempre ou na maioria das vezes.
Os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar divulgados pelo IBGE em março deste ano, acenderam o alerta. Foram ouvidos 118.099 adolescentes que frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024, em uma amostra considerada representativa do universo de estudantes do país. Todas as análises são preocupantes.
O Poder público, o sistema educacional e a própria sociedade começam, de fato, a responder ao que esses percentuais revelam. Diante de um cenário tão contundente, já não basta constatar o problema. É preciso avançar urgentemente em proteção, prevenção e acolhimento.
No Congresso Nacional, há movimentos nessa direção. O PL 4.928/2023 altera o Estatuto da Criança e do Adolescente para incluir de forma explícita o direito da criança e do adolescente à saúde mental. No Senado, o PL 2.656/2025 propõe que plataformas digitais com mais de 1 milhão de usuários veiculem campanhas educativas sobre os riscos do uso excessivo desses ambientes, incluindo os impactos sobre a saúde mental.
No ambiente digital, a resposta já começou a ganhar forma legal. A Lei 15.211/2025, o chamado ECA Digital, estabelece regras de proteção para crianças e adolescentes nas plataformas. É um avanço importante porque reconhece que algoritmos, comparação permanente, pressão estética e uso compulsivo das redes também interferem no bem-estar emocional. Mas a própria lei mostra seu limite: enfrenta uma parte do problema, não o problema inteiro.
Em Santa Catarina, a pauta também chegou à Assembleia Legislativa. Tramita na Alesc o PL 200/2025, que institui o Programa Estadual de Apoio à Saúde Mental nas Escolas, voltado à promoção do bem-estar emocional, à prevenção de transtornos mentais e ao acolhimento de estudantes da rede pública.
A Secretaria de Estado da Educação já atua em frentes que dialogam com esse desafio. O estado alcançou adesão integral ao Programa Saúde na Escola no ciclo 2025/2026, que inclui a saúde mental entre suas prioridades, mantém o NEPRE como estrutura permanente de prevenção às violências no ambiente escolar, entre outras ações. O movimento existe. A questão é saber se ele conseguirá responder, na mesma dimensão, ao tamanho do problema revelado pelos números.
Pais devem ficar atentos, educadores preparados e a sociedade precisa entender que saúde mental na adolescência não é exagero, fraqueza ou tema para depois. Os números já mostraram o tamanho do problema. O que se espera agora é capacidade de agir — nas leis, nas escolas, nas famílias e na escuta cotidiana.


