13 MAIO 2026

El Niño forte não é sentença, mas exige preparo

Santa Catarina entra nos próximos meses com um sinal claro de atenção. A possível formação de um El Niño forte acende alertas técnicos importantes para o Estado, especialmente pelo aumento do risco de chuvas acima da média, temporais, inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos.

Não é um alerta menor. Também não deve ser tratado como previsão de tragédia.

A leitura mais responsável está justamente nesse equilíbrio. Meteorologistas vêm chamando atenção para um cenário que exige preparação, sobretudo porque o Sul do Brasil costuma sentir de forma mais intensa os efeitos do El Niño. Um evento forte não significa, necessariamente, que desastres irão ocorrer. Mas aumenta as condições favoráveis para eventos extremos.

É por isso que a prevenção precisa começar antes da emergência.

A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil informa ter ampliado a rede de monitoramento, reforçado equipes técnicas, realizado treinamentos, simulados e atualizado planos de contingência. No Vale do Itajaí, região historicamente vulnerável às cheias, as barragens voltam ao centro da estratégia, com destaque para a revitalização da Barragem Sul, em Ituporanga.

Também estão em andamento convênios com 48 municípios e intervenções diretas para limpeza e desassoreamento de rios, somando mais de 350 quilômetros de ações e mais de R$ 227 milhões em recursos. A medida busca melhorar o escoamento e reduzir impactos de cheias, mas não resolve sozinha o problema.

Defesa Civil exige planejamento permanente. Passa por drenagem urbana, manutenção de córregos, comunicação de risco, rotas de fuga, planos locais atualizados e, principalmente, equipes treinadas nos municípios, preferencialmente formadas por servidores efetivos para que não haja problemas de continuidade. Também passa por estruturas formadas por servidores efetivos, para que o conhecimento técnico não se perca a cada troca de gestão.

A agenda pública começa a se movimentar. A Assembleia Legislativa programou audiência pública para o dia 22 deste mês para tratar de prevenção, inovação, adaptação e gestão de riscos diante dos eventos climáticos extremos. Em junho, Tubarão sediará o Fórum de Proteção e Defesa Civil da Federação Catarinense de Municípios – FECAM, reunindo técnicos, gestores e agentes municipais.

Sirene, abrigo e decreto de emergência são importantes quando o desastre chega. Mas a diferença real se constrói antes, com dado, obra, capacitação, servidores preparados e decisão política.

Santa Catarina já aprendeu, muitas vezes pela dor, que o clima não espera a burocracia. Entre o alarmismo e a omissão, há um caminho mais responsável: reconhecer o risco, fortalecer os municípios e transformar alerta técnico em ação.

*Imagem: Internet

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