25 MAIO 2026

Indústria catarinense: a força que move SC e olha para o futuro

A Semana da Indústria, promovida pela FIESC de hoje (25) a sexta-feira (29), coloca no centro da agenda catarinense um setor que há muito tempo deixou de representar apenas máquinas, fábricas e linhas de produção. A indústria em Santa Catarina é emprego, renda, inovação, formação profissional, competitividade e, cada vez mais, discussão sobre o futuro do trabalho.

Os números ajudam a dimensionar essa força. Santa Catarina tem 64,7 mil indústrias, responsáveis por 934,3 mil empregos formais. Isso significa que mais de um em cada três trabalhadores catarinenses está ligado ao setor. A indústria responde ainda por 28,5% do PIB estadual, dado que explica por que qualquer debate sobre desenvolvimento em Santa Catarina passa, necessariamente, pelo chão de fábrica, pelos centros de tecnologia, pelas exportações, pela qualificação e pela capacidade de adaptação das empresas.

O setor também carrega uma característica importante: é diversificado. Santa Catarina produz motores elétricos, alimentos, têxteis, madeira, móveis, borracha, plástico, máquinas e equipamentos. Essa diversidade ajuda a proteger a economia catarinense em momentos de instabilidade, porque permite que o desempenho de alguns segmentos compense dificuldades enfrentadas por outros.

Em 2025, enquanto a indústria brasileira registrou recuo de 0,2%, a catarinense avançou 3,2%. O resultado, segundo análise da FIESC, foi sustentado justamente por essa base industrial espalhada pelo estado e por setores menos sensíveis aos ciclos econômicos. Para 2026, a projeção da entidade é de crescimento de 2,06% na produção industrial.

Mas a Semana da Indústria não olha apenas para os indicadores econômicos. A programação dá destaque à qualificação, à inovação, ao bem-estar e à saúde mental. E este talvez seja o ponto mais atual do debate. A indústria do futuro não será construída apenas com tecnologia. Será construída com trabalhadores preparados, ambientes mais saudáveis, novas competências e relações de trabalho capazes de acompanhar as transformações em curso.

A presença cada vez maior de equipamentos tecnológicos nas linhas de produção exige outro perfil profissional. Ao mesmo tempo, a discussão nacional sobre jornada de trabalho, produtividade e qualidade de vida impõe ao setor um desafio delicado: equilibrar competitividade, custos, direitos e saúde dos trabalhadores. Não há resposta simples para uma mudança que afeta empresas, empregos e famílias. Mas há uma certeza: o tema precisa ser tratado com dados, responsabilidade e diálogo.

Santa Catarina construiu boa parte de sua identidade econômica a partir de empreendedores locais, indústrias familiares, trabalhadores qualificados e uma cultura produtiva fortemente ligada às regiões. Agora, esse mesmo setor é chamado a enfrentar uma nova etapa, marcada por inovação, automação, inteligência produtiva e novas exigências humanas.

Por isso, a Semana da Indústria é mais do que uma agenda institucional. É uma oportunidade para olhar para um dos pilares da economia catarinense e perguntar que indústria queremos para os próximos anos. Uma indústria forte, sim. Mas também preparada para crescer sem perder de vista quem faz esse crescimento acontecer: as pessoas.

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