29 JUN 2026
A lição que o Brasil deu ao interpretar o jogo e mudar a estratégia
A classificação do Brasil às oitavas veio com tensão, virada e gol nos acréscimos. Daqueles jogos que fazem o torcedor reclamar de cada erro e, no fim, comemorar como se tivesse entrado em campo. Mas a vitória sobre o Japão foi maior do que o placar.
Na imagem que ilustra esta coluna, nas camisas dos jogadores, a data da final da Copa. Ela lembra que a classificação é apenas uma etapa. O objetivo está mais adiante e, para chegar lá, não basta comemorar. É preciso seguir evoluindo.
O Brasil não venceu por acaso. Venceu porque não se entregou quando o jogo ficou difícil, não aceitou que um primeiro tempo ruim definisse a partida e percebeu que era preciso mudar. Houve insistência, mas também leitura do jogo, mudança de postura e decisões tomadas na hora certa.
No futebol, não basta querer vencer. É preciso reconhecer quando o caminho não funciona e ter coragem para buscar outro. Há equipes que desaparecem diante da pressão. O Brasil escolheu ficar em campo.
A Seleção encontrou um adversário organizado, sofreu mais do que esperava e viu o tempo se transformar em inimigo. Ainda assim, não ficou presa à reclamação nem esperou que o resultado mudasse sozinho.
A vida também tem seus jogos difíceis: projetos que travam, decisões que não dão o resultado esperado e planos que exigem revisão. Diante disso, alguns se escondem, outros procuram culpados e há quem continue repetindo o mesmo erro, como se insistir fosse suficiente para mudar o desfecho.
Permanecer, porém, não é teimar. É manter o objetivo, mas admitir que o caminho precisa de ajuste. É reconhecer o problema sem se paralisar, buscar alternativa e seguir.
A lição também cabe à política. Nenhuma gestão atravessa um mandato sem enfrentar dificuldades. O que diferencia uma administração não é a ausência de problemas, mas a forma como reage quando eles aparecem.
A política desaparece quando se limita a justificativas, quando transforma tudo em culpa de alguém ou quando prefere defender um erro a corrigi-lo. Permanece em campo quando escuta, reúne equipe, reorganiza prioridades e apresenta respostas.
O cidadão percebe essa diferença. Percebe quando há presença, comando e disposição para resolver. E percebe também quando a inércia vem acompanhada de muitas explicações.
A vitória brasileira não foi perfeita. Foi uma vitória de reação, ajuste e decisão. Nem sempre teremos controle sobre o primeiro tempo da vida. Mas sempre haverá uma escolha: desaparecer diante da pressão ou permanecer em campo, rever o que for necessário e seguir até o fim.
*Imagem da Internet
