16 JUL 2026

Novo tarifaço dos EUA mantém indústria catarinense sob pressão

O segundo tarifaço imposto pelos Estados Unidos volta a colocar a indústria de Santa Catarina diante de um cenário preocupante. Embora as novas alíquotas sejam menores do que as aplicadas na primeira rodada de sobretaxas, o levantamento da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) mostra que o problema está longe de ser resolvido.

A tarifa nominal máxima caiu de 50% para 37,5%. Já a tarifa efetiva sobre os produtos catarinenses passou de 47,8% para 35,9%. À primeira vista, os números indicariam algum alívio. Na prática, porém, os principais concorrentes internacionais do Brasil terão acesso ao mercado norte-americano com tarifas mais baixas. Isso mantém os produtos catarinenses em desvantagem.

A experiência recente ajuda a dimensionar o risco. Durante o primeiro tarifaço, entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, as exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos recuaram 38,29%. A média mensal, que era de US$ 141 milhões, caiu para US$ 87 milhões.

Após a derrubada das tarifas pela Suprema Corte norte-americana, em fevereiro, houve uma recuperação gradual das vendas, favorecida pela adoção temporária de uma tarifa global de 10%. A nova sobretaxa adicional de 25%, no entanto, ameaça interromper essa reação e consolidar uma retração próxima de 40% nas exportações catarinenses para os Estados Unidos.

Os efeitos não serão iguais para todas as atividades. Segundo a FIESC, 518 produtos exportados pelo estado perderão competitividade entre o primeiro e o segundo tarifaço. Outros 608 terão alguma melhora em relação à rodada anterior, mas continuarão enfrentando concorrentes submetidos a condições tarifárias mais favoráveis.

O complexo da madeira ajuda a entender essa diferença. A madeira perfilada poderá recuperar parte de sua competitividade, com melhora de 6,2 pontos percentuais em relação aos concorrentes. Já as indústrias de portas e molduras de madeira devem perder ainda mais espaço, com redução de 2,2 pontos percentuais em sua margem competitiva.

O impacto também alcança diferentes segmentos da indústria de transformação, especialmente aqueles que produzem bens manufaturados e dependem do mercado norte-americano. São empresas que movimentam cadeias de fornecedores, transportes, serviços e empregos nos municípios onde estão instaladas. Quando uma exportação deixa de acontecer, o prejuízo não fica restrito à fábrica.

Santa Catarina está mais exposta do que a média brasileira justamente pela presença expressiva de produtos industrializados em sua pauta de exportações. No país, a parcela das vendas atingidas pelas tarifas deve cair de aproximadamente 33% para 25%. No estado, permanecerá em torno de 56%.

O primeiro tarifaço, conforme a Federação, já impediu a geração de cerca de 7,6 mil empregos formais em Santa Catarina. Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, os efeitos da nova rodada poderão ser semelhantes, com prejuízos para a economia estadual.

O novo tarifaço, portanto, não representa apenas uma dificuldade comercial para algumas empresas. Ele pressiona a produção, reduz encomendas, compromete investimentos e ameaça postos de trabalho. Também reforça a necessidade de diversificar mercados, ampliar acordos comerciais e criar condições para que a indústria catarinense possa competir em um ambiente internacional cada vez mais protecionista.

Foto: Porto de Miami – Freepik

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