28 JUL 2026
Apostas online: uma questão de saúde pública. Ministério da Saúde lança campanha e coloca SUS à disposição de dependentes
As apostas online estão por todos os lados. Nos programas de televisão, nas transmissões de futebol, nas camisas dos clubes e nas redes sociais. A promessa é sempre parecida: diversão e a possibilidade de ganhar dinheiro rapidamente.
Mas, para muitas pessoas, o que começa como passatempo termina em dívida, ansiedade e problemas familiares.
Essa situação nos lembra os bingos. Muitos idosos, principalmente os mais solitários, encontravam nesses espaços uma distração e uma forma de convivência. O risco surgia quando o hábito se transformava em dependência e passava a consumir aposentadorias e economias.
Agora, o jogo está dentro de casa e disponível 24 horas por dia. Basta pegar o celular. Notificações, bônus e apostas em tempo real estimulam o usuário a continuar. Quando perde, tenta recuperar. E pode perder ainda mais.
Os jovens também estão expostos. A presença das bets no futebol e nas redes sociais alimenta o sonho do dinheiro fácil. A propaganda mostra vencedores, mas quase nunca revela as consequências de quem perdeu o controle.
O problema ficou tão sério que passou a ser tratado como uma questão de saúde pública. O Ministério da Saúde lançou uma campanha para alertar sobre os riscos das apostas online e divulgar o atendimento disponível no SUS.
Entre os sinais de alerta estão gastar ou jogar mais do que o planejado, pensar constantemente nas apostas, esconder as perdas e apresentar mudanças no sono, no humor, na rotina e nos relacionamentos. O transtorno do jogo é reconhecido como um comportamento de dependência. Não se trata apenas de falta de controle ou força de vontade.
A ajuda pode começar em uma Unidade Básica de Saúde ou em um Centro de Atenção Psicossocial. O Meu SUS Digital também oferece um autoteste e encaminhamento para teleatendimento especializado. Familiares podem procurar acolhimento e orientação.
Outra ferramenta disponível é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão. Com acesso pela conta gov.br, a pessoa pode bloquear suas contas nas empresas autorizadas, impedir novos cadastros com o mesmo CPF e deixar de receber publicidade direcionada.
A legislação brasileira já estabelece algumas barreiras. Menores de 18 anos e pessoas diagnosticadas com ludopatia não podem apostar. As empresas também não podem facilitar crédito para apostas, oferecer vantagens antecipadas nem direcionar publicidade a crianças e adolescentes. Sites sem autorização são ilegais e não podem ser divulgados. As plataformas autorizadas utilizam o endereço terminado em “bet.br”.
As propagandas também passaram a exibir alertas de que apostar pode causar dependência, provocar perda de dinheiro e não deve ser considerado investimento. No Congresso, seguem em discussão propostas para restringir ainda mais ou proibir a publicidade das bets.
As regras são necessárias, mas não resolvem tudo. Enquanto a aposta continuar presente em quase todos os espaços, será preciso ampliar a prevenção e falar claramente sobre suas consequências. Porque, quando o jogo compromete a renda e desestrutura uma família, a conta não fica apenas com quem apostou.

