05 AGO 2026
Vinte anos de avanços na proteção às mulheres e uma violência que não recua
O Agosto Lilás chama a atenção para um problema que não pode ser lembrado apenas durante um mês. A violência contra a mulher continua presente em todos os ambientes e atinge vítimas de diferentes idades, condições sociais e profissões.
Neste mês, também a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A legislação mudou a forma como o Brasil passou a tratar a violência doméstica. O que antes era visto como um problema do casal ganhou a dimensão que sempre deveria ter, ou seja, uma grave violação de direitos.
Outros avanços vieram ao longo dessas duas décadas. O feminicídio passou a ter penas mais duras. A violência psicológica e a perseguição também foram reconhecidas como crimes. As medidas protetivas foram ampliadas e hoje existem delegacias especializadas, casas de acolhimento, patrulhas Maria da Penha e canais de denúncia.
Mas as leis e os serviços ainda não foram suficientes para conter a violência. Em 2025, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, o maior número já registrado. Outras 4.189 sobreviveram a tentativas de feminicídio. Na maioria dos casos, o agressor era companheiro ou ex-companheiro.
Os números confirmam que o país enfrenta uma epidemia de violência contra a mulher. Uma realidade que não será mudada apenas com penas mais rigorosas. É preciso fazer a lei funcionar, garantir atendimento rápido, fiscalizar as medidas protetivas e oferecer condições para que a vítima consiga romper a relação abusiva.
Muitas mulheres não denunciam porque têm medo, dependem financeiramente do agressor, precisam proteger os filhos ou não sabem a quem recorrer. Outras até procuram ajuda, mas continuam expostas. Por isso, em vez de perguntar por que uma mulher não foi embora, também precisamos saber se ela tinha para onde ir e se encontrou proteção quando decidiu sair.
A informação tem papel importante nesse enfrentamento. Ajuda a identificar os primeiros sinais de abuso, mostra onde buscar apoio e faz com que familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho entendam que não devem ignorar uma ameaça ou um pedido de socorro.
O Agosto Lilás dá visibilidade ao tema. Mas a orientação, a prevenção e o acolhimento precisam continuar durante todo o ano. A violência contra a mulher não é um assunto privado. É um problema de toda a sociedade.
Em caso de emergência, a orientação é ligar para o 190. Informações, acolhimento e denúncias também podem ser feitos pelo Ligue 180, gratuitamente, 24 horas por dia. Denunciar pode salvar uma vida.
*Imagem de IA


