01 SET 2026
Caso Vorcaro aumenta a pressão sobre o STF e repercute no Senado
As informações publicadas pela imprensa nacional sobre as mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro acrescentam um novo e grave capítulo ao caso Banco Master.
A PF identificou pelo menos 28 mensagens enviadas pelo então banqueiro a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, nos dias que antecederam sua prisão, em novembro de 2025.
Vorcaro demonstrava saber que alguma medida estava sendo preparada. Perguntou se já deveria estar fora do país na segunda-feira e quis saber se havia possibilidade de bloquear a ação. Dois dias depois, foi preso no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para deixar o Brasil em um avião particular.
As mensagens também mostram a tentativa de Vorcaro de ganhar tempo. Ele perguntou se Moraes poderia conversar com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para adiar a operação. O argumento era de que alguns dias seriam suficientes para evitar a quebra do banco.
O então banqueiro também citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Queria saber o que cada um conhecia sobre a situação e se havia alguma forma de impedir o avanço das medidas.
Chama a atenção o tom utilizado por Vorcaro. Ele pediu encontros, manifestou profunda gratidão e escreveu como alguém que acreditava ter acesso direto a autoridades importantes da República.
Há, porém, uma questão que precisa ser considerada. O material divulgado apresenta principalmente as mensagens enviadas pelo banqueiro. As respostas do interlocutor não foram recuperadas. Também não está comprovado, até agora, que os pedidos tenham sido atendidos.
Isso não diminui a gravidade do caso. Ao contrário, mostra o quanto ainda precisa ser esclarecido. Quem recebeu as mensagens? O que respondeu? Os encontros solicitados ocorreram? Vorcaro teve acesso antecipado a informações sobre a operação? Houve alguma tentativa de interferência na Polícia Federal, na Procuradoria-Geral da República ou no Banco Central?
Em março, Moraes negou que outro conjunto de mensagens divulgadas fosse dirigido a ele. Sobre as novas informações, ainda não havia se manifestado.
A repercussão fou rápida no Senado. O senador catarinense Esperidião Amin, afirmou que “a represa estourou” e defendeu a abertura de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes. Ressaltou que não estava antecipando uma condenação, mas cobrando a apuração dos fatos e uma posição dos senadores.
Amin também anunciou que pretende apoiar o pedido de impeachment que poderá ser apresentado pela senadora Damares Alves e criticou a possibilidade de o Senado ignorar as denúncias.

