30 SET 2026
STF, bets, fake news e polarização: os fatores que moldam as eleições de 2026
Em 2026, a eleição deixou de ser apenas uma disputa entre candidatos e partidos. O Supremo Tribunal Federal, a Justiça Eleitoral, as redes sociais, as bets e as plataformas digitais passaram a fazer parte do enredo da campanha. Não são temas laterais. Eles ajudam a explicar o ambiente em que o eleitor vai decidir.
A inteligência artificial acrescentou uma dificuldade nova que é a da possibilidade de fabricar imagem, voz e vídeo com aparência de verdade. A desinformação, por sua vez, nem sempre chega como uma mentira escancarada. Muitas vezes, recorta uma fala, mistura dados verdadeiros com uma conclusão falsa ou usa a imagem de alguém para dar credibilidade a uma história inventada.
Esse cenário não surgiu agora. Em 2018, as redes sociais assumiram um papel que a política tradicional demorou a entender. Em 2022, viraram terreno de confronto diário, com boatos, mensagens em série e ataques às urnas eletrônicas. Em 2026, a tecnologia torna essa disputa mais rápida, sofisticada e difícil de controlar.
O TSE endureceu as regras ao proibir os deepfakes, determinar a identificação para conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial e ampliar a responsabilidade das plataformas. É necessário, mas não basta. A checagem continua dependendo das instituições, da imprensa, das campanhas e de cada pessoa antes de compartilhar.
A crise no STF também mudou o tom da eleição. Questões antes restritas aos processos e aos corredores de Brasília passaram a orientar discursos e ataques. O Senado ganhou peso nesse debate porque participa da aprovação de ministros e pode abrir processos de impeachment contra integrantes da Corte. Com duas vagas em disputa por estado, essa escolha ultrapassa a representação regional e terá influência sobre o equilíbrio entre os Poderes.
As bets entraram na campanha pelo impacto direto na vida das famílias. A proibição das apostas de quota fixa recolocou em discussão endividamento, publicidade agressiva e saúde mental. É uma pauta de forte apelo popular, mas que exige debate sério sobre prevenção, fiscalização e mercado ilegal.
A polarização segue presente e ela transforme toda crítica em ataque, toda informação em arma e toda proposta em peça de propaganda. Saúde, segurança, emprego, educação, infraestrutura e clima continuam na vida real. Não podem ficar em segundo plano.
A urna será o momento da decisão. O voto, no entanto, começa a ser formado muito antes do dia da eleição. Começa na tela do celular, nas conversas e na disposição de buscar informação antes de tomar partido.


