17 SET 2026
A eleição ficou em segundo plano. O voto não pode ficar
Faltam 17 dias para as eleições, mas o debate sobre o futuro do país perdeu espaço. A crise no Supremo Tribunal Federal tomou conta dos noticiários, das redes sociais e da própria propaganda eleitoral.
O assunto é grave e precisa ser esclarecido. Na sessão extraordinária desta semana, ministros trocaram acusações em público. Em um dos momentos mais tensos, Gilmar Mendes afirmou: “Até a máfia tem ética”. Uma frase desse peso, dita dentro da mais alta Corte do país, amplia uma crise que já não é apenas jurídica. É também política e institucional.
Para boa parte da população, as instituições parecem envolvidas em disputas internas, interesses pessoais e tentativas de proteção. O cidadão comum acompanha denúncias, vazamentos, acusações e decisões conflitantes, mas está com a opinião formada de que tudo vira “pizza” e o resultado é mais descrédito.
A corrupção, ou a percepção de que ela está presente em todas as instâncias de poder, ajuda a explicar o crescente desinteresse pela política. Para muitas pessoas, nada muda. Partidos se acusam, autoridades brigam e os escândalos se sucedem. Enquanto isso, os problemas reais continuam à porta: o custo de vida, a violência, as dificuldades na saúde, a educação e a falta de oportunidades.
A própria campanha acaba alimentando esse afastamento. Em vez de apresentar propostas e discutir soluções, muitos candidatos preferem explorar a crise no STF. O confronto rende vídeos, frases de efeito e engajamento. Projetos para o país exigem mais explicação e nem sempre produzem o mesmo barulho.
Nesse ambiente, o eleitor pode chegar à urna cansado, confuso ou decidido apenas pela indignação do momento.
O desinteresse não elimina a política. Apenas deixa as decisões nas mãos de grupos mais organizados. Quando o eleitor desiste de pesquisar, alguém escolhe por ele. Quando vota apenas para punir um lado, pode entregar quatro ou oito anos de mandato a quem pouco conhece.
A crise no Supremo merece investigação, transparência e respostas. Mas ela não pode esconder as perguntas desta eleição.
O que os candidatos propõem para a economia, a segurança, a saúde e a educação? Como pretendem enfrentar os eventos climáticos, melhorar a infraestrutura e combater a corrupção? Quem são seus aliados? O que já fizeram?
Também é preciso olhar além da disputa presidencial. Governadores, senadores, deputados federais e estaduais terão poder para definir leis, recursos, indicações e prioridades.
Faltam 17 dias. Ainda há tempo para buscar informação e comparar propostas.
A descrença é compreensível. O abandono da política, porém, acaba favorecendo justamente aquilo que mais revolta a população.
*Imagem por IA


