29 SET 2025
Artigo: A engenharia que faz o balão voar, por Roberta Maas dos Anjos, Presidente do Senge-SC (Sindicato dos Engenheiros de SC)
Nos últimos meses, o balonismo tem ganhado atenção nacional com a intensificação dos debates sobre regulamentação e segurança. O governo federal e a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) trabalham para estabelecer normas que tragam mais profissionalização à atividade, garantindo tranquilidade tanto para turistas quanto para pilotos.
Apesar dos riscos evidenciados por acidentes recentes, voar de balão continua a atrair turistas em busca de silêncio, vistas panorâmicas e da sensação de liberdade no ar. O que muitos desconhecem é que, por trás da experiência aparentemente simples, há uma estrutura robusta de engenharia responsável por tornar cada voo possível.
A engenharia aeronáutica projeta o envelope, o cesto e os sistemas de aquecimento, além de calcular capacidade de carga, autonomia e estabilidade. Já a mecânica garante o funcionamento dos queimadores, fundamentais para manter o balão no ar, exigindo materiais de alta resistência e manutenção constante.
A segurança também é desenhada pela engenharia. Protocolos de embarque e desembarque, uso de equipamentos de proteção e orientações aos passageiros são definidos pela engenharia de segurança do trabalho. Ao mesmo tempo, eletrônica e telecomunicações integram rádios, GPS e sensores que monitoram altitude, temperatura e mantêm contato permanente com a equipe de solo.
O território e o meio ambiente não ficam de fora. A engenharia civil e ambiental participa da escolha dos locais de decolagem e pouso, observando a legislação urbana e minimizando impactos sobre a natureza e as comunidades. Já a engenharia legal garante o cumprimento das normas da ANAC e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).
O balonismo, ainda que carregue um imaginário contemplativo e poético, é uma prática que exige conhecimento técnico, inovação e responsabilidade. A integração de diferentes ramos da engenharia, somada à ética profissional e à fiscalização adequada, é o que transforma um voo de risco em uma experiência segura e inesquecível.


