07 JUL 2026
A Lei Antifumo faz 30 anos. O cigarro mudou, a dependência não
Uma publicação do Senado Federal me fez lembrar que, neste mês, a chamada Lei Antifumo completa 30 anos. A data traz de volta uma época em que o cigarro estava em toda parte: nos bares, restaurantes, aviões, escritórios, hotéis, programas de televisão e grandes eventos.
Mas a reflexão não deve ficar apenas no passado. Hoje, o cigarro eletrônico já faz parte da realidade de muitos jovens. Está nas redes sociais, nas festas, nas conversas entre amigos e, muitas vezes, perto demais das escolas.
Pequeno, colorido, aromatizado e sem o cheiro forte do cigarro tradicional, o vape ainda é tratado por alguns como algo menos nocivo. Não é. Por trás da aparência moderna está a nicotina, uma substância que provoca dependência.
No meu caso, as restrições ao fumo e, principalmente, o apelo dos filhos foram importantes para que eu deixasse o cigarro há cerca de 25 anos. Quem já fumou sabe que não basta apagar um cigarro. É preciso romper uma rotina, enfrentar a dependência e mudar hábitos que parecem fazer parte de todos os momentos do dia.
A Lei nº 9.294, sancionada em 15 de julho de 1996, começou a mudar a forma como o Brasil lidava com o tabagismo. Restringiu o consumo em locais coletivos, limitou a propaganda, proibiu o patrocínio de atividades esportivas por marcas de cigarro e determinou alertas nas embalagens.
Hoje, pode parecer estranho lembrar que o cigarro já foi associado a glamour, sucesso e diversão. Marcas patrocinavam festivais de música, competições esportivas e ídolos nacionais.
A sociedade levou tempo para entender o que estava por trás daquela aparência de liberdade: uma dependência com graves consequências para a saúde. O tabagismo está relacionado a mais de 50 doenças. Algumas afetam a qualidade de vida, como a asma agravada, a osteoporose e a catarata. Outras podem ser fatais, como o câncer de pulmão, o enfisema e o infarto.
Há também um custo alto para as famílias e para o sistema público de saúde. São tratamentos, internações e vidas marcadas por doenças que poderiam ser evitadas.
A Lei Antifumo ajudou a mudar comportamentos e a reduzir o espaço social do cigarro. Foi uma conquista importante. Mas o desafio permanece porque a dependência encontrou outra embalagem.
Trinta anos depois da Lei Antifumo, o Brasil tem razões para reconhecer os avanços. Mas precisa manter o alerta: o cigarro mudou de aparência. A dependência, não.
*Imagem: Internet

