15 JUN 2026

ACI e o desafio de representar o jornalismo em tempos de mudança

A Associação Catarinense de Imprensa chega a mais um processo eleitoral em um momento que merece atenção não apenas dos jornalistas, mas de todos que compreendem a importância da imprensa para a democracia.

No próximo dia 30 de junho, a ACI elegerá sua nova diretoria. A eleição terá chapa única, liderada pela jornalista Lúcia Helena Vieira, atual primeira vice-presidente da entidade, que deverá suceder Déborah Almada, após dois mandatos consecutivos à frente da Associação.

Mais do que uma troca de comando, o processo marca uma etapa importante na história da entidade. Pela primeira vez, os associados poderão votar pela internet, mantendo também a opção presencial na sede da ACI, em Florianópolis.

A mudança pode parecer apenas operacional, mas tem significado maior. Ao permitir o voto eletrônico, a Associação amplia a participação de profissionais de todas as regiões de Santa Catarina e aproxima a entidade dos jornalistas que atuam fora da Capital. Em um estado diverso e com forte presença regional, esse é um avanço importante.

A chapa reúne profissionais com trajetória reconhecida na imprensa e na comunicação catarinense. Além de Lúcia Helena Vieira na presidência, integram a diretoria executiva José Augusto Gayoso, Marco Antonio Bedin, Mariana Baima, João Pedro Alves, Veruska Tasca e Paulo Roberto Fernandes.

Lúcia Helena chega à condição de candidata à presidência depois de participar de perto das ações da atual gestão. Jornalista com experiência em comunicação pública e institucional, foi diretora de Comunicação da Assembleia Legislativa de Santa Catarina e atualmente atua como consultora.

Também merece registro o ciclo que se encerra. Sob a presidência de Déborah Almada, a ACI ampliou sua presença institucional, fortaleceu a defesa da liberdade de imprensa e criou iniciativas de valorização do jornalismo profissional, entre elas o Prêmio ACI OCESC de Jornalismo. Com o encerramento do mandato, Déborah deverá assumir a presidência do Conselho Superior da entidade.

A eleição ocorre em um tempo de desafios conhecidos. A desinformação avança, os ataques à imprensa se repetem, os modelos de negócio mudam e a rotina das redações já não é a mesma. Tudo isso exige entidades representativas atentas, presentes e capazes de defender a profissão sem perder de vista as transformações em curso.

A chapa única não diminui a importância do processo. Ao contrário. Aumenta a responsabilidade de quem assume o compromisso de conduzir uma entidade histórica, que carrega parte importante da memória da imprensa catarinense.

A ACI tem tradição. Mas sua força, daqui para frente, dependerá também da capacidade de dialogar com novas gerações, novas plataformas e novas formas de fazer jornalismo, sem abrir mão do que continua essencial: ética, credibilidade, liberdade e compromisso com o fato.

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