27 AGO 2026

Cadastro pretende integrar atendimento à população em situação de rua

Santa Catarina começou a testar uma ferramenta para reunir informações sobre as pessoas em situação de rua e organizar o atendimento prestado pelos municípios.

O primeiro grupo de operadores do aplicativo foi treinado nesta quinta-feira (27), na sede da Associação dos Municípios da Grande Florianópolis (Granfpolis). A capacitação, promovida pela Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família, reuniu cerca de 60 profissionais das áreas de Assistência Social, Saúde e Segurança Pública.

Nesta primeira fase, nove municípios utilizarão o aplicativo durante aproximadamente 30 dias. O período servirá para testar a ferramenta e identificar possíveis ajustes. Depois, o sistema será disponibilizado gratuitamente aos 295 municípios catarinenses.

O aplicativo faz parte do programa Muito Além das Ruas, criado pelo Governo do Estado para integrar as ações voltadas à população em situação de rua. A intenção é reunir dados que permitam traçar um diagnóstico sobre esse público e adotar um protocolo único de atendimento em Santa Catarina.

A falta de informações compartilhadas é um dos problemas enfrentados atualmente. Uma pessoa pode receber atendimento em diferentes cidades sem que os profissionais tenham acesso ao seu histórico. Em muitos casos, o processo começa novamente a cada mudança de município.

Com o aplicativo, após a abordagem e a escuta inicial, será realizado o cadastro. A ferramenta contará com reconhecimento facial e reunirá o histórico dos atendimentos, formando uma espécie de prontuário estadual. Os profissionais terão diferentes níveis de acesso às informações, de acordo com o serviço prestado.

A partir do cadastro, cada pessoa poderá ser encaminhada conforme suas necessidades. Entre as possibilidades estão a emissão de documentos, atendimento médico, acesso aos serviços da Assistência Social, inclusão produtiva e outras medidas necessárias ao acompanhamento.

Outro dado que chama atenção é o custo do projeto. Inicialmente, o desenvolvimento do aplicativo seria contratado por licitação. A ferramenta, no entanto, foi criada por programadores das secretarias estaduais de Segurança Pública e de Assistência Social, Mulher e Família. Segundo o Governo do Estado, a solução gerou uma economia estimada em R$ 8 milhões.

O aplicativo poderá corrigir falhas importantes no acompanhamento dessa população, especialmente a perda de informações e a repetição de procedimentos. Também permitirá que os gestores conheçam melhor a dimensão e as características da população em situação de rua no Estado.

Mas o cadastro, por si só, não resolve o problema. Os resultados dependerão da atuação conjunta dos municípios e do Estado, da estrutura dos serviços e da continuidade dos atendimentos.

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