05 FEV 2026
Carol de Toni e o peso de ser mulher/forte na política nacional
O debate sobre as candidaturas ao Senado em Santa Catarina expõe muito mais do que uma simples engenharia de alianças para 2026. Revela como lideranças consolidadas passam a ser testadas quando atingem um patamar de protagonismo real, especialmente quando essa liderança é feminina.
A deputada federal Carol de Toni não é apenas um nome competitivo. É uma liderança nacional. Presença constante nos grandes debates do Congresso Nacional e uma das vozes mais reconhecidas da direita brasileira. Seu projeto ao Senado, porém, entrou em zona de incerteza.
O contexto é conhecido: a reserva de uma das vagas ao Senado para o vereador Carlos Bolsonaro por Santa Catarina e a cessão da outra à federação entre União Brasil e Progressistas, garantindo o apoio e a reeleição do senador Esperidião Amin. Com isso, a hipótese de uma chapa exclusivamente liberal no estado foi descartada pela Executiva Nacional.
É importante fazer um registro justo: o governador Jorginho Mello sempre quis Carol no projeto. Sempre a enxergou como um nome forte, competitivo e alinhado ao seu campo político. O problema é que o contexto impôs a ele e ao partido a nível nacional uma verdadeira saia justa.
A deputada estadual Ana Campagnolo (PL), já havia feito o alerta de que a entrada de Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado por Santa Catarina teria impacto direto sobre o projeto político de Carol de Toni, comprimindo seu espaço e criando um efeito colateral interno no PL. Foi criticada e teve que se defender de que não estaria contra Carlos, mas que enxergava o projeto Carol ao Senado pelo PL, comprometido.
Não é preciso reduzir o episódio a machismo puro e simples. A política é feita de cálculos, pressões e correlação de forças. Mas também não dá para ignorar um padrão histórico: quando mulheres alcançam protagonismo elevado, seus projetos tendem a ser mais facilmente considerados “negociáveis”. Foi o que tentou Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, ao tentar fazer com que Carol aceitasse concorrer novamente à Câmara Federal, com promessas de liderança do partido.
Carol reúne atributos que, em qualquer lógica objetiva, a colocariam diretamente na disputa ao Senado: base eleitoral consolidada; protagonismo nacional; liderança partidária; identidade clara com seu eleitorado.
É dado como certo que Carol vai deixar o PL com destino ao Partido Novo. E isso não é um gesto emocional. Será um movimento político de autopreservação de um projeto maior.
No fim, o episódio revela três verdades: Jorginho Mello enfrenta um dos dilemas mais delicados da sua articulação política; Carol de Toni já não é promessa, é realidade; e lideranças femininas com densidade eleitoral seguem enfrentando mais obstáculos para consolidar seus projetos.
Carol não pede licença. Não espera autorização. Não atua como coadjuvante. Ela ocupa espaço e tem o apoio de Michele Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher. Talvez seja exatamente isso que a faz não aceitar recuar.


