27 FEV 2026
Chapa pura do PL ao Senado e o novo desenho do tabuleiro catarinense
Santa Catarina já vive o clima eleitoral, com as peças se mexendo antes do roteiro oficial. Em 22 de janeiro, o governador Jorginho Mello anunciou Adriano Silva (Novo) como vice da chapa à reeleição. Em 25 de fevereiro, o PL nacional confirmou a aposta em “chapa pura” ao Senado, com Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro. O recado é de estratégia: amarrar o arranjo majoritário cedo e sustentar uma disputa com marca ideológica forte — num estado em que o debate público, hoje, é majoritariamente ocupado por discursos à direita. “Fechar” cedo é decisão e aposta.
Já o calendário eleitoral abre a janela partidária, de 6 de março a 5 de abril, período em que parlamentares podem trocar de sigla sem perder o mandato, o que costuma redefinir o peso das bancadas e o apetite por composições.
O detalhe local é que a polarização tende a acontecer dentro do mesmo campo em Santa Catarina. A pré-candidatura de João Rodrigues (PSD) também se encaixa no espectro da direita e, por isso, o embate pode ser menos “direita x esquerda” e mais “direita x direita”: estilos, lideranças e coalizões disputando quem comanda o eleitorado conservador catarinense. João tem feito acenos para construir uma composição ampla, mirando justamente quem ficou fora do projeto do PL.
É nesse ponto que PP e MDB ganham centralidade. O PP reage porque, em 2026, o eleitor escolhe dois senadores. Esperidião Amin segue no jogo, enquanto a federação União Progressista (PP + União Brasil) amplia o poder de barganha e tende a endurecer as condições de apoio no estado.
No MDB, a leitura é ainda mais direta: sem a vaga de vice — que tradicionalmente significa presença no núcleo do Executivo — o partido decidiu sair do governo e voltou a tratar candidatura própria como rota viável. Não é gesto dramático; é coerência com um MDB que, em Santa Catarina, costuma preferir jogar de dentro e endurece quando fica fora da engenharia do poder.
Para não restringir o cenário ao campo conservador, vale registrar como a esquerda tenta se organizar: o PT tem colocado Décio Lima e Gelson Merísio como pré-candidaturas e fala em composição mais ampla; o PSOL trabalha a unidade do campo progressista e já apresentou Afrânio Boppré como pré-candidato ao governo; e o PCdoB, dentro da Federação Brasil da Esperança, também reforça a necessidade de coordenação e estratégia unificada.
No PSDB, presidido em SC pelo deputado estadual Marcos Vieira, o discurso é de que o partido está pronto para lançar o próprio dirigente ao governo. Mas a legenda vive um esvaziamento: com a possível saída de Geovania de Sá para o Republicanos e Vicente Caropreso para o União Brasil, perde força e poder de negociação. Por isso, tem aparecido mais quieta — tentando segurar quadros e atravessar a janela partidária com o menor desgaste possível.
No fim, o que se desenha em Santa Catarina é um ambiente em que a disputa pelo governo pode ocorrer com duas direitas competitivas — e, ao mesmo tempo, com a esquerda tentando evitar dispersão para voltar a ser alternativa.
*Imagem gerada por IA


