18 NOV 2025
Coopera Agro SC e avanço do debate sobre o leite coloca o agronegócio catarinense no centro da agenda pública
O Governo do Estado enviou para a Assembleia Legislativa o Programa Coopera Agro SC, iniciativa que pode transformar o ambiente de investimentos no campo, enquanto a Comissão de Constituição e Justiça aprovou, por unanimidade, o projeto que proíbe a reconstituição do leite em pó importado — tema sensível para milhares de famílias produtoras.
Um programa bilionário para impulsionar o campo
O Coopera Agro SC nasce com ambição: movimentar até R$ 26 bilhões na economia catarinense e gerar 40 mil empregos diretos e indiretos. Estruturado pela Secretaria de Agricultura e Pecuária (Sape) em parceria com o BRDE, o programa pretende ampliar o acesso ao crédito com condições diferenciadas para agricultores vinculados a cooperativas e agroindústrias.
Serão até 10 linhas de financiamento, totalizando R$ 1 bilhão – R$ 200 milhões aportados pelo Estado e R$ 800 milhões pelo setor privado. Com juros próximos de 9% ao ano e prazo de pagamento de 10 anos (incluindo dois anos de carência), a proposta busca atacar um dos principais entraves do setor: o alto custo do crédito rural.
Outro estímulo relevante é a possibilidade de liberar créditos acumulados de ICMS, até o limite de 50% dos investimentos. O impacto pode alcançar mais de 120 mil produtoresrurais, fortalecendo cooperativas, modernizando agroindústrias e impulsionando novas cadeias produtivas.
O governador Jorginho Mello (PL) avalia o programa como uma resposta à vocação econômica do Estado. “Santa Catarina sempre se destacou pela força do campo. Esse programa significa mais renda, mais empregos e mais oportunidades para quem produz”, disse.
Para o secretário Carlos Chiodini (MDB), trata-se de um movimento transformador. Destaca que “criamos condições reais para ampliar o acesso ao financiamento e permitir que o produtor invista com segurança.”
Crise do leite mobiliza a Alesc
Enquanto o Estado anuncia medidas para ampliar investimentos no agronegócio, a Assembleia Legislativa debate outra agenda urgente: a crise do leite. A CCJ aprovou relatório favorável ao projeto que proíbe a produção e comercialização de leite reconstituído a partir de leite em pó importado (PL 759/2025), apresentado pelo deputado Oscar Gutz (PL).
A medida, que ainda terá tramitação em outras comissões, pretende proteger a produção local, garantir transparência ao consumidor e enfrentar a perda de renda dos pequenos produtores — principal elo fragilizado da cadeia.
O relator Alex Brasil (PL), defendeu a proposta como forma de reação ao que considera desequilíbrio de mercado gerado pelas importações. Também recebeu apoio de Volnei Weber.
Mas o debate não foi unânime. Fabiano da Luz (PT), apresentou contrapontos, afirmando que a reconstituição de leite representa apenas 3% do consumo catarinense e que o problema real é o excesso de estoque e o alto custo da embalagem. Ele retomou sugestões como incentivo ao leite ensacado e ações para ampliar o consumo.
Mauro De Nadal (MDB), reforçou a necessidade de abrir mercado externo para o leite catarinense e destacou a urgência na ativação do laboratório do leite de Pinhalzinho, importante para qualificar e certificar a produção local.
*Imagem: Internet/Epagri


