09 JUN 2025
Cresce em Santa Catarina a destinação do IR a projetos sociais, mas poderia ser ainda maior
O número de contribuintes catarinenses que destinaram parte do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) a projetos sociais cresceu 28,64% em 2025, na comparação com o ano anterior. Segundo dados da Receita Federal, levantados pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), foram 20.296 pessoas físicas que fizeram o repasse este ano, frente a 15.776 em 2024. Em valores, o montante saltou de R$ 16,8 milhões para R$ 21,4 milhões – um crescimento de 27,49%.
O avanço expressivo, no entanto, ainda está distante do potencial real do estado. Segundo estimativas, os contribuintes de Santa Catarina poderiam ter destinado até R$ 542,5 milhões aos Fundos dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Pessoa Idosa. O valor efetivamente doado corresponde a apenas 3,95% dessa capacidade.
A FIESC tem sido uma das principais incentivadoras dessa prática. Por meio da campanha IRPF do Bem, a entidade orienta cidadãos e empresas sobre como destinar parte do imposto devido a iniciativas sociais, sem custo adicional ou prejuízo à restituição. Para o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, o crescimento é positivo, mas o desafio ainda é grande:
“Mais uma vez houve aumento no número de contribuintes e no valor doado. Mas ainda estamos longe do potencial. A indústria seguirá incentivando o aporte”, afirma.
Além das ações voltadas às pessoas físicas, a FIESC mantém programas permanentes como o Fundo Social, que presta orientação às empresas sobre o direcionamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), e o Elabora Social, que conecta organizações sociais a empresas interessadas em investir via leis de incentivo fiscal.
O estímulo à cultura da doação conta também com o apoio de diversas instituições em Santa Catarina. Conselhos municipais de direitos, organizações da sociedade civil e órgãos como o Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado e entidades municipalistas, e que também atuam na fiscalização, regulamentação e orientação sobre a correta aplicação dos recursos destinados aos fundos sociais.
Na prática, os recursos financiam projetos que garantem direitos e melhoram a qualidade de vida de crianças, adolescentes e idosos nos próprios municípios onde o imposto foi recolhido. Uma forma direta de transformar tributos em ações concretas de cidadania e inclusão.


