05 MAR 2026

DefenDelas: a Defensoria amplia a rede de proteção às mulheres em SC

Março chega com laço simbólico, mas o que muda a vida real é quando a rede de proteção ganha força, método e porta de entrada clara. Foi com essa lógica que a Defensoria Pública de Santa Catarina lançou, em 4 de março de 2026, o DefenDelas — um passo que parece simples no anúncio, mas é grande no efeito: organizar fluxos, ampliar atendimento e espalhar o acesso à justiça por todo o Estado, inclusive por atendimento remoto, para mulheres em situação de violência.

O DefenDelas nasce em um ponto em que muitas políticas tropeçam: a hora em que a mulher decide pedir ajuda. É ali que o sistema costuma falhar — pelo medo, pela dependência financeira, pelo isolamento, pela culpa ensinada, pela falta de informação, pela vergonha imposta. A Defensoria, ao transformar o que era disperso em protocolo institucional e em porta de entrada estruturada, mexe no coração do problema: o tempo entre a decisão de romper e o primeiro acolhimento.

A coordenadora do NUDEM, defensora pública Anne Teive Auras, foi direta ao explicar o espírito do projeto: ele nasce da “escuta” e da “prática diária” de quem atende mulheres “em momentos de extrema vulnerabilidade”. E vai além do slogan: “organiza fluxos, fortalece a atuação especializada e integra esforços para que nenhuma mulher se sinta sozinha quando decidir romper o ciclo da violência”.

Essa frase carrega um recado importante: violência de gênero não se enfrenta só com indignação — enfrenta-se com método, com rede, com rotina de atendimento, com clareza do caminho. Quando a Defensoria fala em fluxo, está falando de reduzir a peregrinação entre balcões, de encurtar o vai-e-volta de documentos, de diminuir a chance de a vítima desistir porque “não deu certo” na primeira tentativa.

O desenho do DefenDelas também reforça algo que, na prática, ainda é um gargalo: a violência não acontece isolada. A coordenadora do CEDEM, defensora pública Luisa Garcia, trouxe a vivência de quem viu a violência “reverberar” nos filhos e na família inteira. “O DefenDelas nasce dessa experiência concreta e fortalece o trabalho em rede, com diálogo institucional e respostas mais eficazes para proteger direitos e salvar vidas”, afirmou.

Outro ponto que chama atenção é o caráter amplo do atendimento. Em geral, quando a porta de acesso tem condicionantes rígidos — de renda, de endereço, de documentação — o sistema seleciona quem “consegue chegar”, e não quem mais precisa. O DefenDelas é apresentado como um programa que amplia o alcance e aposta no princípio central da Defensoria: justiça não pode ser um serviço para poucos.

O subdefensor público-geral, Thiago Burlani Neves, traduziu a proposta em uma imagem forte: não pode haver “ilhas de atendimento” nem “vazios de proteção”. Para ele, estadualizar o acesso à justiça significa garantir que orientação, acolhimento e proteção cheguem a todas as regiões — “não dependa do CEP” ou da estrutura disponível na cidade onde a mulher vive.

Se você conhece alguém que precisa de ajuda, compartilhe informação de serviço e incentive a buscar orientação pelos canais oficiais da Defensoria Pública de SC. O primeiro passo, muitas vezes, é só saber que existe um lugar para começar.

Anuncie aqui