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30 JUN 2026

Divergir é democrático. O ódio, não. O voto separa escolhas, não pessoas

O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina lançou a campanha “Diálogo e Paz – Eleições 2026”. Instituições públicas, entidades da sociedade civil, veículos de comunicação e partidos políticos reunidos em torno de um compromisso simples, mas cada vez mais necessário: preservar o respeito em um período naturalmente marcado pela disputa de ideias.

A campanha chega em boa hora. Ela trata de temas que estarão no centro do processo eleitoral, como combate ao assédio eleitoral, respeito às cotas de gênero e raça, enfrentamento à desinformação e uso ético da inteligência artificial nas campanhas.

Mais do que uma assinatura formal, o ato propõe uma escolha de postura. A eleição precisa ter debate, posições claras, crítica e confronto de projetos. O que não pode ser aceito é a substituição do argumento pela ofensa, da convicção pela ameaça e da política pela violência.

A polarização não é exclusividade do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, a disputa política se organiza historicamente entre dois grandes campos: republicanos e democratas, com visões distintas sobre economia, costumes, imigração, política externa e o papel do Estado. Ter lados diferentes não é problema. Faz parte da democracia.

O risco está em transformar divergências legítimas em guerras de narrativas. As redes sociais ajudam a acelerar esse processo. Muitas vezes, premiam a indignação, simplificam discussões complexas e empurram lideranças e eleitores para posições cada vez mais extremadas.

É nesse ponto que a campanha do TRE-SC ganha ainda mais importância. O presidente do Tribunal, desembargador Carlos Roberto da Silva, resumiu bem a proposta ao afirmar que divergir não é defeito da democracia, mas parte de sua essência. Uma sociedade em que todos pensam igual não é necessariamente uma sociedade em paz. Pode ser apenas uma sociedade silenciada.

O desafio é não confundir adversário com inimigo. Ninguém deve ser perseguido por defender uma ideia, disputar uma eleição ou exercer o direito de votar. Nenhuma família deveria se dividir porque seus integrantes pensam diferente.

A política pode — e deve — ter firmeza, convicção e paixão. Mas paixão sem limite vira fanatismo. E fanatismo não melhora a saúde, não constrói estradas, não gera emprego e não resolve os problemas de quem espera respostas do poder público.

A democracia não se resume ao voto depositado na urna. Ela também se revela na forma como tratamos quem pensa diferente de nós.

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