24 AGO 2026

Eleições 2026: mais mulheres na disputa, mas ainda longe da igualdade. Santa Catarina acima da média nacional.

Santa Catarina tem, proporcionalmente, mais mulheres candidatas nas eleições de 2026 do que a média nacional. O dado foi divulgado nesta segunda-feira (24) pela Justiça Eleitoral e representa um avanço. Ainda assim, está longe de indicar equilíbrio na disputa.

Das 695 candidaturas registradas no estado, 255 são de mulheres, o equivalente a 36,69%. Os homens somam 440 e representam 63,31%. No cenário nacional, a participação feminina é de 34,88%.

A diferença favorável a Santa Catarina é de 1,81 ponto percentual. Em números mais simples, para cada mulher candidata no estado, há aproximadamente 1,7 homem. O percentual feminino continua muito mais próximo dos 30% exigidos pela legislação do que da metade das candidaturas.

A presença de mais mulheres nas listas partidárias deve ser reconhecida, mas os números também confirmam uma realidade conhecida. Embora participem ativamente da vida social, profissional e econômica, elas ainda encontram mais dificuldades para entrar na política e ocupar os espaços de decisão.

O recorte de raça e cor revela uma diferença bem maior entre Santa Catarina e o restante do país. O estado tem 109 candidaturas de pessoas negras, considerando pretos e pardos, o equivalente a 15,68% do total. No Brasil, esse percentual chega a 48,97%.

São mais de 33 pontos percentuais de diferença. Um número que diz muito sobre a composição das candidaturas catarinenses e mostra que a diversidade na política não pode ser analisada apenas pelo critério de gênero.

Santa Catarina também registra sete candidaturas indígenas, que correspondem a 1% do total. O índice é ligeiramente superior ao nacional, de 0,93%, mas representa um grupo ainda muito pequeno dentro da disputa eleitoral.

O registro da candidatura, por si só, não garante participação em condições de igualdade. Será necessário acompanhar quanto cada candidata ou candidato receberá, qual estrutura terá à disposição e que espaço ocupará na propaganda e nas agendas dos partidos.

A legislação determina que os recursos destinados às candidaturas femininas acompanhem a proporção de mulheres registradas, respeitado o mínimo de 30%. Para as candidaturas de pessoas negras, também foi estabelecido o percentual mínimo de 30%. Neste ano, as regras passaram a incluir expressamente as candidaturas indígenas na distribuição dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral.

A forma como esse dinheiro será distribuído ajudará a mostrar quais candidaturas foram lançadas com condições reais de disputar votos e quais serviram apenas para completar as listas. A presença de mulheres, pessoas negras e indígenas precisa aparecer também na estrutura das campanhas.

Os números divulgados nesta segunda-feira ainda podem mudar. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina continua analisando os pedidos de registro, e podem ocorrer substituições e preenchimento de vagas remanescentes. Segundo o TRE-SC, o quadro definitivo será conhecido depois de 14 de setembro.

Santa Catarina está acima da média brasileira na participação feminina, mas quase dois terços das candidaturas continuam sendo de homens. Na representação das pessoas negras, a distância em relação ao país é ainda maior.

As listas mostram quem entrou na disputa. A distribuição dos recursos e o resultado das urnas mostrarão quem teve condições reais de concorrer.

Nos países vizinhos, há regras mais avançadas. Argentina e Bolívia adotam listas paritárias, com 50% de mulheres e alternância entre os nomes. O resultado aparece nos parlamentos: as mulheres ocupam mais de 40% das cadeiras argentinas e são maioria nas duas casas legislativas bolivianas. No Brasil, embora tenham representado 35% das candidaturas à Câmara em 2022, conquistaram apenas 17,7% das vagas. A diferença confirma que registrar candidatas é apenas uma parte do caminho. Recursos, estrutura partidária e condições reais de disputa continuam fazendo toda a diferença.

Imagem por IA

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