26 OUT 2026
Estado e municípios avaliam a aprendizagem. O objetivo é alfabetizar mais crianças na idade certa
O economista James Heckman, Prêmio Nobel de Economia em 2000, demonstrou por suas pesquisas que cada dólar investido na primeira infância gera um retorno de cerca de 7 a 10 dólares para a sociedade. Com métodos científicos de avaliação sobre a eficácia de programas sociais, dedicou-se aos estudos sobre a primeira infância que, para ele, é um divisor de águas.
O investimento na primeira infância é uma estratégia eficaz para o crescimento econômico. Entre os estímulos nos primeiros anos de vida está a alfabetização que não começa apenas no 2º ano do Ensino Fundamental. Suas bases são construídas desde a Educação Infantil, com estímulos, profissionais preparados e condições adequadas de aprendizagem.
Em Santa Catarina, a avaliação de Fluência Leitora do SEAESC está sendo aplicada até 30 de outubro aos estudantes do 2º ano das redes públicas estadual e municipais. A Secretaria de Estado da Educação quer identificar como as crianças estão avançando e quais habilidades precisam de mais atenção. Entre 9 e 19 de novembro, outra etapa avaliará estudantes de diferentes anos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
A avaliação ajuda a mostrar onde estão as dificuldades, mas o resultado só faz diferença quando orienta o trabalho nas escolas. Professores e gestores precisam de informações para planejar ações, acompanhar cada estudante e oferecer apoio antes que as defasagens se acumulem.
Na Grande Florianópolis, a Associação dos Municípios (Granfpolis), realizou oficinas com os municípios que estão contribuindo para a elaboração do diagnóstico educacional. A média informada para os 22 municípios é de 64% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano. O levantamento também aponta obstáculos que interferem na aprendizagem: falta de espaço nas escolas diante do crescimento da população, dificuldades para ampliar o ensino integral, necessidade de formação dos profissionais e alta rotatividade das equipes.
Esse diagnóstico regional se conecta ao planejamento para os próximos anos. O Plano Estadual de Educação está em fase de atualização do diagnóstico, com prazo até abril de 2027. Os municípios têm até 14 de julho de 2027 para elaborar seus planos, com base nas diretrizes estaduais. Em setembro, durante o “Dia D” do Ideb, as coordenadorias regionais de educação também analisaram causas e desafios relacionados às metas educacionais.
O novo Plano Nacional de Educação, instituído pela Lei nº 15.388/2026, estabelece que ao menos 80% das crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano até o quinto ano de vigência do plano. Ao fim da década, a meta é alcançar todas as crianças. O plano também prevê aprendizagem adequada em matemática e redução das desigualdades.
A avaliação aponta os desafios. O diagnóstico ajuda a entender suas causas. E o planejamento precisa se transformar em equipes preparadas, acompanhamento constante e melhores condições para as crianças aprenderem. Alfabetizar na idade certa é um trabalho que começa cedo e precisa continuar todos os dias.


