02 MAR 2026

Fio solto não é detalhe: é risco na calçada

Quem anda a pé em Santa Catarina já conhece a cena: cabos atravessando a rua, enrolados nos postes, pendurados baixos demais, amarrados “no improviso”. Às vezes, é só feio. Em outras, é perigoso. E há casos em que vira tragédia.

Foi nesse contexto que a Celesc reuniu, na sexta-feira (27), cerca de 300 representantes de operadoras de internet e telefonia, em uma reunião online, para reforçar o óbvio: cada empresa precisa cuidar do que instala e retirar o que abandona.

A Celesc cuida do poste e da rede elétrica. As operadoras de telecomunicações são responsáveis pelos cabos de internet e telefonia: instalação correta, organização, manutenção e retirada de fios em desuso. Em resumo: cabo solto, rompido, sem padrão, “pendurado” ou sobrando… tem dono. E o dono tem obrigação.

Na reunião, além de gestores da Celesc, participaram representantes da Anatel em Santa Catarina, o que dá um sinal importante de que a discussão não é só técnica, também abrange de fiscalização e responsabilização.

O risco é real

Cabos soltos não são apenas “poluição visual”. Eles podem derrubar motociclista, enroscar em caminhão, puxar poste, provocar queda de pedestre e, em situações específicas, energizar e matar.

O exemplo mais recente e cruel veio de São Bento do Sul, onde um adolescente de 13 anos morreu após entrar em contato com um cabo energizado caído na via.

A Celesc afirma ter intensificado notificações e fiscalização. Em 2025, foram 13.028 notificações formais, referentes a 51.933 postes com cabos soltos, rompidos, em desuso ou fora do padrão técnico.

No mesmo ano, a empresa diz que ações conjuntas com operadoras e prefeituras retiraram mais de 150 toneladas de fios em Santa Catarina. É muito. Mas também é um retrato de quanto foi acumulado e do quanto ainda falta organizar.

Reunião é necessária. Mutirão ajuda. Notificação tem seu papel. Mas o cidadão não vive de “processo”; vive do que enxerga na rua.

Se depois de 13 mil notificações ainda há cabo solto virando rotina, o problema deixa de ser só de comunicação e passa a ser de consequência: prazo que não se cumpre precisa virar sanção; reincidência precisa pesar; e, principalmente, a rede precisa ter rastreabilidade para que o “fio sem dono” deixe de existir.

Há também um movimento regulatório em curso: a Aneel aprovou, em dezembro de 2025, proposta de nova norma conjunta sobre compartilhamento de postes (com decisão final ainda pendente na Anatel). Entre os pontos, estão mecanismos mais objetivos de regularização e regras que reforçam a responsabilidade e os custos de adequação para as prestadoras de telecom. Se sair do papel, pode reduzir a zona cinzenta que alimenta o abandono.

Fio caído não é curiosidade. Não toque, não se aproxime e acione atendimento. A Celesc mantém canal de emergência 0800 048 0196 e WhatsApp (48) 99860-0067 (texto).

*Com informações e foto: Comunicação Celesc

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