02 OUT 2024
GT vai atuar na conscientização, educação, fiscalização e ações de engenharia de trânsito para reduzir acidentes com motos
A reunião que anunciamos na Coluna, organizado pela 30ª Promotoria de Justiça da Capital, na terça-feira (1º/10), contou com a participação de diversas instituições para debater os impactos e medidas preventivas aos acidentes que envolvem motocicletas e que tem impactos na saúde pública, segurança pública e na própria mobilidade urbana.
De acordo com Promotor de Justiça Daniel Paladino, titular da 30ª PJ da Capital, o objetivo do encontro foi integrar o trabalho das diversas áreas, tendo como desafio inicial promover a unificação dos números e estatísticas colhidos pelas instituições envolvidas, entre elas, o Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária Federal, a Secretaria de Estado da Saúde, a Prefeitura de Florianópolis, o Detran, representantes da classe médica que atuam nas emergências dos hospitais, SAMU, Guarda Municipal, Rede Vida no Trânsito, Fenamoto, CDL e os Conselhos de Segurança. A partir dessa integração, Paladino defende uma ação efetiva das autoridades no que concerne à redução desses sinistros, principalmente humanos.
Ficou acordado que o grupo de trabalho vai atuar a partir dos seguintes eixos: conscientização, educação, fiscalização efetiva dos veículos e ações de engenharia de trânsito, como forma de corrigir pontos de risco, aprimorar a sinalização e, possivelmente, criar faixa exclusiva para motos.
Também ficou definido que o grupo realizará reuniões mensais e será criado um canal de WhatsApp para a efetiva troca de informações entre os participantes. A próxima está prevista para final de novembro.
Os números do perigo e da imprudência
Dados repassados pelo Detran apontam uma média de 30 mil multas mensais no Estado que são aplicadas a condutores de motocicletas, sendo que 17 mil são relacionadas a excesso de velocidade. O resultado da imprudência é o grande número de acidentes, que somam 21 mil sinistros só em 2024.
Não menos alarmantes são os reflexos na área de atendimento de urgência e emergência e nos hospitais. Só o SAMU atendeu nos nove meses de 2024 um total de 3.857 vítimas de acidentes com motocicleta. Em se tratando de acidentes de trânsito, o Corpo de Bombeiros Militar revela que 40% dos atendimentos diários são relacionados a motociclistas. No Hospital Regional, só os atendimentos de acidentes leves, registrados no setor de enfermaria, representam um custo diário de R$ 5 mil reais. Em acidentes graves, que exigem longos períodos de recuperação, esse valor pode chegar a R$ 170 mil por paciente.
Ainda, segundo a Rede Vida no Trânsito, entidade ligada ao Ministério da Saúde, em 2023 foram 16 mortes envolvendo motocicleta, só em Florianópolis. De janeiro a agosto deste ano, já foram 11 mortes computadas na capital. Todavia, a entidade alerta que os números tendem a ser maiores, uma vez que os dados são coletados num período de até 30 dias após o acidente. Em muitos casos, devido a um ou mais procedimentos cirúrgicos, o paciente vem a óbito depois desse prazo.
*Com informações e foto do MPSC