15 ABR 2026
Integra reforça que segurança escolar vai além da vigilância
A semana de seminários macrorregionais do Comitê Integrado para Cidadania e Paz nas Escolas, o Integra, recoloca em pauta uma discussão que Santa Catarina precisou amadurecer desde 2023: segurança escolar não se resume a câmera, portão e controle de acesso. A proposta do comitê, que nesta semana passou por Rio do Sul e São Miguel do Oeste e chega a São Bento do Sul na sexta-feira, 17 de abril, é discutir prevenção, preparo e resposta diante de diferentes situações de risco no ambiente escolar.
O Integra surgiu após o ataque à creche em Blumenau e foi institucionalizado pela Lei Estadual 18.878, de 2024, tornando-se um comitê permanente vinculado à Assembleia Legislativa, com participação de diversas instituições. A criação do colegiado deu caráter permanente a um debate que deixou de ser apenas reação a uma tragédia para ganhar espaço como política pública.
Nos seminários deste ano, um dos focos é a apresentação do Plano de Contingência Multirriscos para Unidades Educativas de Santa Catarina, lançado em janeiro, com protocolos para situações de violência, emergências estruturais e até eventos climáticos extremos. A proposta é orientar escolas e redes sobre como agir e evitar improvisos em momentos de crise.
Desde a criação do Integra, houve avanços como a interiorização do debate, a formação de comitês locais em dezenas de municípios, a realização de capacitações e a aproximação entre educação, segurança pública, Judiciário e redes de proteção. Ao mesmo tempo, ainda não há elementos suficientes para afirmar, de forma categórica, que já exista uma redução mensurável da violência escolar diretamente associada à atuação do comitê.
O principal mérito do Integra talvez esteja justamente em ampliar o conceito de segurança. Proteger crianças e adolescentes passa, sim, pela estrutura física das escolas, mas também envolve cultura de paz, prevenção ao bullying, saúde emocional, convivência e educação digital. Segurança escolar, no fim das contas, exige mais do que vigilância: exige rede, orientação e atuação articulada.
Foto: Argeu Padilha/TVGC


