25 OUT 2026
Lula reeleito. A virada inédita que veio da mobilização popular, em especial, dos jovens
Lula foi reeleito, mas não venceu sozinho. O resultado é uma vitória de um movimento popular que ganhou força no segundo turno e levou mais gente a se envolver na disputa. A esquerda soube mobilizar a população e os jovens tiveram papel importante nessa virada.
Na sétima disputa presidencial efetivamente travada por Lula, o resultado mudou de direção. Ele terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% do adversário. No segundo, ampliou sua votação em mais de 10 milhões de votos.
Entre os jovens que não acompanharam a campanha de 1989, Lula ganhou outro significado. Para parte dessa geração, tornou-se um mito político. O antibolsonarismo ajudou a aproximar esses eleitores de uma campanha que precisava transformar apoio e rejeição ao adversário em participação efetiva.
O Sudeste pesou na decisão, e Minas Gerais voltou ao centro da disputa. Desde 1989, todos os presidentes eleitos venceram também no estado, conhecido como um termômetro do país. Sua diversidade política ajuda a explicar por que o resultado mineiro costuma antecipar o desfecho nacional.
Acompanhar eleições desde 1985, quando em minha cidade ocorreram as primeiras eleições no período democrático me ensinou que cada resultado tem mais de uma explicação. Em 2026, a virada veio de uma combinação de mobilização popular e redes sociais.
Luiz Inácio Lula da Silva volta a governar com o respaldo de uma maioria apertada e com a responsabilidade de responder às expectativas que esse movimento despertou. O maior desafio, além da economia, será no Congresso Nacional, com maioria oposicionista e frustrada.
A Justiça Eleitoral precisa recuperar o protagonismo do processo para que mantenha sua credibilidade. E os institutos de pesquisas precisam rever suas métricas.


