17 AGO 2026

Maioria nas urnas, minoria no poder

Representamos 52,8% do eleitorado brasileiro, mas ocupamos apenas 34,8% das candidaturas registradas para as eleições deste ano. Somos maioria na hora de escolher, mas ainda estamos longe de dividir o poder político na mesma proporção.

Somos mais de 83,8 milhões de mulheres aptas a votar nas eleições de 2026. Apesar desse peso, ocupamos pouco mais de uma em cada três candidaturas. O percentual de 34,8% é o maior já registrado em uma eleição nacional, mas representa avanço de apenas um ponto em relação a 2022.

Na prática, continuamos muito próximas do mínimo de 30% exigido pela legislação. A diferença aumenta nas disputas pelo comando do Executivo: ocupamos somente 15,4% das candidaturas à Presidência e 16,4% das candidaturas aos governos estaduais.

No Congresso Nacional, ocupamos atualmente 18,7% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 19,8% do Senado. Números que não combinam com a nossa participação no eleitorado brasileiro.

Votar em mulher ou em candidato preparado

Sermos maioria no eleitorado não significa, automaticamente, elegermos mais mulheres. Até porque ainda são poucas as mulheres, verdadeiramente preparadas, que aceitam o desafio. Além disso, não formamos um bloco único. Temos posições políticas, prioridades e visões de mundo diferentes.

Também não basta escolhermos uma candidata apenas porque é mulher. Precisamos conhecer sua trajetória, suas propostas e seus compromissos. Nossa representatividade não pode ser apenas uma fotografia de campanha. Precisa aparecer nos projetos, nas votações, nos orçamentos e nas decisões.

Mas não podemos ignorar os obstáculos enfrentados pelas candidatas. Muitas de nós recebem menos recursos e menor estrutura partidária. Também somos alvos de ataques à aparência, à vida pessoal e à família, além de ameaças e violência política.

Uma conquista ainda incompleta

Conquistamos o direito de votar e ser votadas em 1932. No ano seguinte, elegemos Carlota Pereira de Queirós, a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Em 2010, chegamos à Presidência da República com Dilma Rousseff. Entre uma conquista e outra, no entanto, avançamos lentamente.

As catarinenses têm lugar importante nessa história. Em 1934, Antonieta de Barros, foi a primeira mulher e primeira pessoa negra a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Em 2002, elegemos Ideli Salvatti, primeira senadora pelo Estado.

Neste ano, somos 253 mulheres entre as 692 candidaturas apresentadas à Justiça Eleitoral em Santa Catarina, aproximadamente 37% do total. Estamos acima da média nacional, mas ainda distantes dos 52,26% que representamos entre os eleitores catarinenses.

Imagem por IA

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