09 MAIO 2026

Não foi só agenda: foi ensaio de 2026. A passagem de Flávio Bolsonaro por Santa Catarina

Santa Catarina permanece como território estratégico da política, em especial da direita brasileira. A passagem de Flávio Bolsonaro por Florianópolis, entre sexta e sábado, foi organizada para produzir mais do que repercussão momentânea. Teve desenho de largada política, de demonstração de força e, sobretudo, de arrumação de palanque.

Mais de 5 mil apoiadores e filiados do Partido Liberal lotaram o Stage Music Park, em Florianópolis, em clima de festa e convicção. A mensagem era: Santa Catarina está pronta para 2026. O evento também apresentou o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, como pré-candidato a vice-governador, além dos nomes de Carlos Bolsonaro e Carol De Toni para o Senado, e dos pré-candidatos aos cargos de deputado federal e deputado estadual.

Na coletiva, Flávio reforçou o discurso que o bolsonarismo pretende sustentar daqui para frente: a ideia de que Santa Catarina representa um modelo político alinhado ao campo conservador, em contraste direto com o governo federal. Ao exaltar o Estado e mirar Brasília, buscou falar simultaneamente à militância, ao eleitorado de direita e às lideranças locais que já começam a se posicionar para 2026. Criticou o que chamou de desrespeito com Santa Catarina e prometeu importantes investimentos para o Estado na área da infraestrutura. Outro ponto destacado foram investimentos em segurança pública com a criação de ministério para a área e a defesa pela redução da maioridade penal para 14 anos, em caso de crimes hediondos.

A agenda, porém, não ficou restrita ao ambiente partidário. Na sexta-feira à noite, em Florianópolis, houve jantar com empresários e a entrega, pela Fecomércio, de uma pauta de reivindicações do setor produtivo. O gesto deu outro peso à visita. Mostrou que o roteiro foi pensado para combinar mobilização política com interlocução institucional e econômica, aproximando a pré-campanha de demandas concretas de segmentos organizados.

No plano estadual, a presença de Flávio também serviu a um objetivo bastante claro: ajudar a sedimentar a imagem de unidade em torno do governador Jorginho Mello. Em um momento em que o PL trabalha para fortalecer seu projeto de reeleição em Santa Catarina, a agenda funcionou como vitrine de coesão interna e de alinhamento com o núcleo bolsonarista nacional.

O que se viu, portanto, foi menos um conjunto de compromissos isolados e mais um ensaio já bastante visível da eleição que vem. Santa Catarina aparece, mais uma vez, como ativo simbólico, político e eleitoral. E não apenas porque vota majoritariamente à direita, mas porque segue sendo vista como um Estado capaz de irradiar discurso, imagem e estratégia, para além de suas fronteiras.

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