02 JUL 2026
O Brasil de Marta vai sediar a Copa. O que a Fifa exige e o que fica para o país?
O Brasil deve sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027 com orgulho. Deve valorizar suas atletas, incentivar meninas e transformar o torneio em vitrine para uma modalidade que conquistou espaço apesar de décadas de preconceito e falta de investimento.
Mas é preciso perguntar, desde já: o país deixará um legado de inclusão, oportunidades e desenvolvimento ou ficará apenas com as exigências da Fifa, os feriados e a festa?
A nova lei assegura à Fifa e a seus parceiros exclusividade sobre marcas, publicidade e ações comerciais ligadas ao torneio. Também prevê restrições no comércio do entorno dos locais oficiais. Organização e proteção de marcas são necessárias, mas é preciso cuidado para que comerciantes, ambulantes regularizados, restaurantes, hotéis, empresas de transporte e prestadores de serviço não fiquem apenas assistindo à movimentação passar diante de suas portas.
A Copa precisa gerar renda para as cidades-sede, não apenas para grandes patrocinadores. Turismo, comércio, indústria e serviços devem ser incluídos no planejamento, com regras claras e espaço real para participação local.
Outro ponto merece atenção. A lei permite feriado nacional em dias de jogos da seleção brasileira e abre possibilidade para feriados ou pontos facultativos em estados e municípios que receberão partidas. As escolas também deverão ajustar o calendário para que as férias coincidam com o período da competição.
Torcer pela seleção feminina e ver o país mobilizado terá um significado importante. Mas feriados e alterações no calendário afetam empresas, comércio, indústria, famílias e escolas. Exigem organização para que a celebração não se transforme em prejuízo ou descontinuidade.
A Copa será disputada entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, em oito cidades brasileiras. Será a primeira vez que a América do Sul receberá a principal competição do futebol feminino.
É o Brasil de Marta, mas também das pioneiras que entraram em campo quando quase ninguém via futuro para o futebol praticado por mulheres. A premiação prevista para as atletas das seleções de 1988 e 1991 reconhece parte dessa história. É uma reparação necessária para quem ajudou a manter a modalidade viva, mesmo sem estrutura, apoio ou visibilidade.
Para milhares de meninas que hoje treinam em escolas, projetos sociais e clubes, a Copa será a chance de ver o futebol feminino ocupar o palco que sempre mereceu. A Copa será delas e de todas nós. O legado precisa ser do Brasil
