26 MAR 2026

O palanque improvável de João Rodrigues

Quem diria. Quando parecia que a política catarinense já tinha mostrado quase todas as suas combinações, João Rodrigues surgiu nesta quinta-feira, 26, ao lado de lideranças do PSD, MDB, PP e União Brasil para anunciar uma aliança de oposição ao atual governo do Estado. Pelo desenho apresentado, o MDB ficará com a vaga de vice, Esperidião Amin será o nome ao Senado e Rodrigues se coloca de vez na disputa pelo governo. O prefeito de Chapecó também anunciou que deixará o cargo para se dedicar à pré-campanha, embora a chapa ainda dependa da formalização nas convenções partidárias.

O anúncio, por si só, já tem peso político. Mas o que mais chama atenção é a imagem formada a partir dele: MDB e PP no mesmo projeto majoritário em Santa Catarina. E isso não é pouca coisa. São partidos que estiveram em lados opostos em momentos importantes da política catarinense e que agora aparecem dividindo o mesmo palanque.

Essa composição fala menos de afinidade e mais de estratégia. O que aproximou essas siglas não foi uma identidade construída ao longo do tempo, mas a necessidade de somar forças diante da disputa que se desenha. No campo da oposição, a leitura parece clara: separados, todos chegariam menores. Juntos, ampliam alcance político, fortalecem a estrutura e tentam dar mais competitividade a uma candidatura que quer enfrentar o grupo hoje instalado no poder.

Para o MDB, a aliança representa a chance de seguir ocupando espaço central no jogo, mesmo sem estar no núcleo do projeto governista. A vaga de vice dá ao partido presença real na chapa e mantém sua relevância num momento decisivo. Para o PP, a presença de Amin ajuda a dar densidade política e peso eleitoral ao arranjo. E, para João Rodrigues, o movimento significa o que toda pré-candidatura precisa buscar desde cedo: ampliar base, atrair aliados e transformar discurso em estrutura.

Mas talvez o principal recado dessa aliança esteja em outro ponto. Quando partidos com histórico de antagonismo aceitam caminhar juntos, o que se vê não é apenas o fortalecimento de um nome. O que se vê é uma nova reorganização do tabuleiro catarinense. Velhas divisões já não explicam sozinhas os movimentos de agora. Na prática, a memória política vai cedendo espaço à lógica eleitoral. E a pergunta deixa de ser quem foi adversário de quem para se concentrar em quem consegue chegar mais forte à disputa.

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