11 JUN 2026
Parlamento Jovem e a semente da boa política
Há programas que merecem ser valorizados muito além do calendário institucional. O Parlamento Jovem da Assembleia Legislativa de Santa Catarina é um deles.
Nos anos em que atuei na Alesc, acompanhei várias edições e me tornei uma incentivadora dessa iniciativa. Não apenas pelo simbolismo de ver estudantes ocupando o Plenário, usando a tribuna, defendendo ideias e votando proposições. Mas pelo que essa experiência pode despertar.
A 35ª edição foi encerrada nesta quinta-feira (11), no Palácio Barriga Verde, com a participação de 40 estudantes do ensino médio, entre 15 e 18 anos, representantes de oito escolas de diferentes regiões catarinenses. Durante três meses, eles vivenciaram etapas que reproduzem, em ambiente pedagógico, parte da rotina legislativa: eleições nas escolas, formação de bancadas, elaboração de propostas, debates, relatorias e votação.
Pode parecer uma simulação. Mas, para muitos jovens, é a primeira oportunidade concreta de entender que política não é apenas disputa eleitoral, palanque ou confronto. Política também é escuta, construção, responsabilidade pública e capacidade de transformar demandas reais em propostas.
E foi isso que apareceu na pauta. Educação financeira, apoio ao produtor rural, cultura catarinense, ambientes pedagógicos inclusivos, feira de profissões, direitos humanos, cidadania digital, conhecimentos jurídicos básicos, preparação para o Enem e combate ao uso de dispositivos eletrônicos para fumar estiveram entre os temas levados ao debate.
São assuntos que nascem da escola, da comunidade e das preocupações de uma geração que muitas vezes é cobrada a participar mais, mas nem sempre recebe espaço para aprender como participar.
O mérito do Parlamento Jovem está justamente aí. Ele aproxima os estudantes das instituições e mostra que uma ideia, para ganhar força no espaço público, precisa ser organizada, fundamentada e defendida. Mostra também que o contraditório faz parte da democracia.
Em tempos de descrédito e discursos fáceis contra a política, iniciativas como essa ajudam a recolocar o debate no lugar certo. Não se trata de formar jovens para a política partidária, embora alguns possam seguir esse caminho no futuro. Trata-se de formar cidadãos mais conscientes.
Santa Catarina precisa de novas lideranças. Mas precisa, sobretudo, de lideranças comprometidas com a boa política. Aquela que não começa no grito, mas na escuta. Que não se resume à ocupação de cargos, mas à compreensão de responsabilidades.
Ao abrir as portas do Parlamento para os jovens, a Alesc investe em futuro, cidadania e democracia.
E talvez, entre esses 40 estudantes que passaram pelo Plenário nesta edição, estejam lideranças que amanhã farão diferença nas escolas, universidades, entidades, comunidades, câmaras municipais ou na vida pública.
O mais importante é que saiam dessa experiência sabendo que política, quando bem compreendida e bem exercida, pode — e deve — melhorar a vida das pessoas.
*Foto: Daniel Conzi – Agência Alesc


