06 FEV 2026
Parque Urbano Marina Beira-Mar: o projeto que reconecta Florianópolis ao mar e desafia a cidade a sair do compasso lento
O anúncio do prefeito Topázio Neto de que o Parque Urbano Marina Beira-Mar vai, enfim, sair do papel ajuda a expor uma contradição histórica da Florianópolis: a cidade cresce, se adensa, amplia sua complexidade urbana, mas segue convivendo com projetos estruturantes que passam anos — ou décadas — entre estudos, debates e promessas, sem avançar para a execução.
O transporte marítimo é o exemplo mais simbólico. Uma cidade-ilha, cercada de água, com vocação natural para a navegação urbana, permanece praticamente refém do deslocamento terrestre e das pontes. Pesquisa recente, inclusive, apontou que o transporte marítimo em Florianópolis hoje não compensa.
A ligação da Beira-Mar Continental com a Beira-Mar de São José e, posteriormente, com a BR-101, segue no campo das intenções. O transporte intermunicipal integrado continua como promessa recorrente. Corredores exclusivos para ônibus — capazes de tornar o transporte coletivo mais rápido e atrativo — simplesmente não existem, apesar de amplamente defendidos. O melhor aproveitamento a área do aterro da Baía Sul segue aquém do seu potencial.
São pautas conhecidas. O diagnóstico é antigo. O que falta não é ideia. Falta decisão, prioridade e capacidade de execução.
É justamente por isso que a boa notícia ganha ainda mais peso.
O anúncio de que Florianópolis obteve a Licença Ambiental de Instalação (LAI) para o Parque Urbano Marina Beira-Mar, concedida pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, é um marco. A ordem de serviço deve ser assinada nos próximos dias.
Para se ter uma ideia de como os processos são morosos, já em 2016 o tema era discutido em audiências públicas. Ou seja, quase uma década entre debate, amadurecimento, licenciamento e autorização até chegar à fase de execução.
O parque terá 440 mil metros quadrados, no trecho da Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos entre a Praça Portugal e a Praça Sesquicentenário. O investimento estimado é de R$ 350 milhões. A obra será executada pela JL Construções, com cessão de uso por 35 anos. O prazo é de dois anos e meio para a primeira etapa e mais um ano e meio para a conclusão da marina.
Além da LAI, o projeto possui Licença Ambiental Provisória e autorizações da Secretaria do Patrimônio da União e da Capitania dos Portos.
O desenho urbano prevê transporte marítimo, esportes náuticos, lazer, áreas verdes, praças, gastronomia e serviços. Na prática, o parque resgata um conceito essencial: reconectar Florianópolis com o mar.
O Parque Urbano Marina Beira-Mar deve ser comemorado. Gera emprego, renda e qualifica a paisagem urbana. Mas também precisa servir de alerta.
Acredito que Florianópolis não precisa de mais diagnósticos. Precisa, urgentemente, de execução.
Que o parque seja não apenas um novo cartão-postal, mas um precedente. Um sinal de que a cidade é capaz de destravar projetos estruturantes e acelerar o próprio tempo.


