21 SET 2026
Presidenciáveis em SC: crises e críticas abafam propostas
Santa Catarina recebeu, nos últimos dias, três candidatos à Presidência da República. Lula esteve em Florianópolis. Flávio Bolsonaro passou por Joinville e Chapecó. Renan Santos percorreu quatro cidades catarinenses em sua caravana.
A presença dos presidenciáveis confirma a importância eleitoral do Estado, historicamente mais alinhado à direita e onde a disputa nacional tem peso especial.
A visita de Lula teve também um objetivo estadual. Ao subir no palanque com Gelson Merísio, o presidente procurou dar densidade à candidatura do PSB e ampliar sua presença numa disputa ainda dominada por Jorginho Mello. A estratégia é clara: fortalecer Merísio, organizar o campo de oposição e tentar impedir uma vitória em primeiro turno.
Lula levou a Florianópolis a intenção de acabar com as plataformas de apostas on-line, as bets, relacionando o setor ao endividamento e ao vício em jogos.
Mas foram as críticas que tiveram maior repercussão. Lula afirmou que colocou Gelson Merísio na disputa pelo governo para “desmascarar” Jorginho Mello. A frase foi mais do que um ataque ao governador: sinalizou a intenção de transformar Merísio no principal contraponto ao projeto de reeleição do PL em Santa Catarina.
Ao falar sobre o agronegócio, Lula disse que, diante dos recursos liberados ao setor, produtores deveriam “não só votar, mas se ajoelhar” para ele. Janja classificou Santa Catarina como um Estado dominado pelo bolsonarismo. Frases que mobilizam a militância, mas podem ampliar a distância com parte relevante do eleitorado catarinense.
Flávio Bolsonaro concentrou sua agenda em Joinville e Chapecó nas críticas ao governo Lula, ao reajuste do Bolsa Família e à economia. Voltou também a defender uma transição para os benefícios sociais, de modo que quem consegue emprego não perca imediatamente o auxílio. A ideia é criar uma saída gradual, com mais segurança para quem entra no mercado de trabalho.
Renan Santos buscou se colocar como alternativa aos dois polos. Centrou sua fala na crise institucional e disse que o Brasil não deve ser governado por pessoas que estão na “lista telefônica de Vorcaro”, em referência ao caso que envolve o ex-banqueiro e autoridades públicas.
A movimentação dos candidatos ocorre, porém, em uma campanha que ainda parece distante de boa parte da população. Pouco se fala sobre eleições nas conversas do cotidiano. Há desinteresse, cansaço e dificuldade de enxergar nas propagandas respostas objetivas para os problemas reais do país.
A crise no STF ocupa as manchetes e repercute fortemente na população. Também domina debates e programas eleitorais. Críticas, ataques e respostas imediatas acabam ganhando mais espaço do que propostas, seus custos e a forma como seriam colocadas em prática.
Santa Catarina entrou na rota dos presidenciáveis. O eleitor precisa aproveitar essa atenção para exigir mais do que frases de efeito. Precisa cobrar respostas sobre, por exemplo, a economia do país.


