02 NOV 2026

Quase um milhão de registros de violência doméstica em nove meses no Brasil

O Brasil contabilizou 945.015 casos de violência doméstica na Justiça entre janeiro e setembro de 2026. No mesmo período, 1.082 mulheres foram vítimas de feminicídio e outras 3.350 sofreram tentativas de assassinato — cerca de 12 por dia. Os números, de bases diferentes, dimensionam a violência e a urgência de uma resposta pública que chegue antes da tragédia.

O total de casos de violência doméstica foi registrado pelo Painel da Violência Doméstica do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com dados do DataJud. Em nove meses, superou os registros de anos inteiros até 2023. O painel contabiliza processos que chegaram ao Judiciário, não todos os episódios de violência: parte das vítimas não denuncia ou não consegue acessar a Justiça.

São Paulo liderou os registros, com 158.178 casos. Depois aparecem Paraná, com 94.690; Minas Gerais, com 83.762; Rio Grande do Sul, com 77.259; Rio de Janeiro, com 63.087; e Santa Catarina, com 39.345. Os números absolutos indicam onde houve mais registros, mas não permitem comparar a incidência entre estados sem considerar o tamanho da população.

Já os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com base no Sinesp, apontam 1.082 vítimas de feminicídio entre janeiro e setembro. No mesmo intervalo de 2025, foram 1.133, uma queda de 4,5%. As tentativas seguiram na direção oposta: cresceram 10,4%, passando de 3.035 para 3.350.

A Justiça tem respondido com mais rapidez aos pedidos de proteção. Nos 12 meses encerrados em maio de 2026, 85% receberam uma primeira decisão em até 24 horas. Mas a velocidade, sozinha, não resolve o problema: em pesquisa sobre feminicídios, o CNJ constatou que 67% das vítimas analisadas não tinham medida protetiva anterior contra o réu.

Os dados apontam uma tarefa concreta para o Estado: identificar o risco e proteger a mulher antes que a violência se torne letal. Para isso, a medida protetiva precisa vir acompanhada de fiscalização e de uma rede acessível de atendimento policial, jurídico, psicológico e de saúde. Abrigos, apoio aos filhos e condições para reconstruir a vida também fazem parte da proteção.

União, estados e municípios precisam coordenar o atendimento, acompanhar cada caso e responsabilizar os agressores. A resposta pública deve começar quando surgem as primeiras ameaças e não apenas depois que a violência chega às estatísticas de feminicídio.

Anuncie aqui