20 JAN 2026

Reformas no STF: por que o debate ganha força agora?

A necessidade — ou não — de reformas no Supremo Tribunal Federal voltou ao centro do debate público. Desta vez, o impulso parte de Santa Catarina, um estado reconhecido nacionalmente por um eleitorado majoritariamente alinhado à direita e por uma tradição de participação ativa em discussões institucionais de alcance nacional. O movimento é liderado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina, que decidiu organizar, de forma técnica, um estudo sobre possíveis mudanças estruturais no STF.

O ponto de partida é um fato objetivo: o STF ocupa hoje um espaço central no debate político e jurídico brasileiro, com impacto direto sobre temas sensíveis da vida nacional. Nesse contexto, a OAB/SC mobilizou suas comissões temáticas, formadas por juristas de diferentes áreas, para elaborar um documento que sirva de subsídio à discussão pública sobre o funcionamento da Corte.

A iniciativa foi determinada pelo presidente da seccional, Juliano Mandelli, e parte de questionamentos que vêm sendo apresentados em diferentes setores da sociedade: o modelo atual de composição do STF é o mais adequado? A vitaliciedade dos ministros, com aposentadoria compulsória aos 75 anos, continua sendo o melhor formato? As decisões monocráticas, cada vez mais frequentes, produzem previsibilidade e segurança jurídica?

Entre os temas colocados em debate está a possibilidade de adoção de mandatos para os ministros, em substituição ao modelo vitalício. Outro ponto é a discussão sobre mudanças no sistema de indicação, hoje concentrado no Poder Executivo com aprovação do Senado. A OAB/SC propõe avaliar alternativas que ampliem a participação institucional, a exemplo do modelo adotado pelo Conselho Nacional de Justiça, que reúne diferentes carreiras jurídicas.

Também integra o debate o fortalecimento das decisões colegiadas, como forma de reduzir a centralização de poder em decisões individuais e ampliar a previsibilidade das interpretações constitucionais.

O contexto regional ajuda a explicar a repercussão da iniciativa. Santa Catarina tem histórico eleitoral conservador, forte presença do setor produtivo e uma sociedade civil organizada que costuma se posicionar sobre temas institucionais. Não por acaso, debates sobre limites, competências e desenho das instituições ganham visibilidade quando partem do estado.

A proposta da OAB/SC não apresenta conclusões fechadas. Ela lança perguntas, organiza dados e propõe critérios técnicos para uma discussão que já existe no país, mas muitas vezes ocorre de forma fragmentada ou polarizada. A questão central permanece aberta: o modelo atual do Supremo Tribunal Federal responde às demandas de previsibilidade, equilíbrio e legitimidade exigidas pela sociedade brasileira?

O debate está posto. E, ao que tudo indica, não ficará restrito ao meio jurídico nem às fronteiras de Santa Catarina.

*Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF

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