18 MAIO 2026
Santa Catarina acende o alerta antes da emergência
Santa Catarina decidiu se antecipar ao clima. O decreto de alerta climático editado pelo governo do Estado nesta segunda-feira não decreta tragédia, nem deve ser lido como motivo para pânico. Mas é, sim, um recado claro: o tempo de esperar a chuva cair para então correr atrás do prejuízo ficou para trás.
A medida coloca os 295 municípios catarinenses em estado de alerta por, no mínimo, 180 dias, diante da previsão de formação e fortalecimento do El Niño. Na prática, o decreto dá respaldo para que o Estado e as prefeituras possam agir com mais rapidez em ações de prevenção, monitoramento, contratação de serviços, obras emergenciais e aquisição de itens de ajuda humanitária.
É uma decisão administrativa, mas com forte peso político e social. Depois de sucessivos eventos extremos no Sul do país, a prevenção deixou de ser discurso técnico para se tornar obrigação pública.
Os meteorologistas da Defesa Civil indicam que o fenômeno deve começar a dar sinais já no inverno, com aumento gradual das instabilidades. O período de maior atenção, no entanto, deve ocorrer entre setembro e janeiro, especialmente a partir de novembro, quando cresce a possibilidade de chuvas intensas, alagamentos, enxurradas e deslizamentos.
Isso não significa que uma tragédia esteja anunciada. Especialistas têm repetido que um El Niño forte não resulta, automaticamente, em eventos extremos. Mas significa que a atmosfera fica mais favorável a eles. E, diante dessa informação, a diferença entre normalidade e desastre muitas vezes está no planejamento.
Santa Catarina conhece bem seus pontos frágeis. Há áreas sujeitas a cheias, encostas ocupadas, comunidades em regiões de risco, rios que exigem manutenção, estruturas antigas e municípios que ainda dependem de equipes reduzidas para responder a situações complexas. Por isso, o alerta climático precisa sair do papel e chegar às prefeituras, às defesas civis municipais e à população.
Não basta o decreto estadual. Será necessário revisar planos de contingência, limpar sistemas de drenagem, atualizar mapas de risco, preparar abrigos, organizar rotas de evacuação, treinar equipes e melhorar a comunicação com os moradores. Defesa Civil não pode ser improviso de fim de semana. Precisa de servidor preparado, conhecimento acumulado e continuidade administrativa.
O alerta também exige responsabilidade na informação. Nem alarmismo, nem negação. A população precisa saber o que pode acontecer, como deve se proteger e em quais canais buscar orientação oficial. Em tempos de desinformação, comunicação de risco também salva vidas.
O decreto assinado pelo governo catarinense é uma medida preventiva. E prevenção, quando funciona, quase nunca aparece. Ela está justamente na ponte que não cai, na família que sai de casa a tempo, no abrigo preparado, no município que responde rápido, no alerta que chega antes da água.
O El Niño ainda está se formando. Santa Catarina, desta vez, resolveu se mover antes dele.


