06 JUL 2026

Santa Catarina exporta mais, apesar das barreiras dos Estados Unidos

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) divulgou nesta segunda-feira um dado que merece atenção: as exportações catarinenses cresceram 4,3% no primeiro semestre de 2026 e alcançaram US$ 6,13 bilhões.

Em um ambiente mundial de tensões geopolíticas, tarifas e incertezas comerciais, o resultado não veio por acaso. Santa Catarina precisou mudar rotas, buscar compradores e reduzir a dependência de mercados tradicionais.

A queda de 31,3% nas vendas para os Estados Unidos mostra o tamanho do problema. Durante muitos anos, o mercado norte-americano esteve entre os principais destinos dos produtos catarinenses. Agora, as barreiras tarifárias reduziram negócios, especialmente em setores ligados à madeira e aos móveis.

O impacto é expressivo. As exportações do setor madeireiro para os Estados Unidos caíram 40,8% no semestre, passando de US$ 316,6 milhões para US$ 187,5 milhões. Não se trata apenas de números em uma planilha. São empresas, empregos e municípios das regiões Serrana e do Planalto Norte que sentem diretamente os efeitos de decisões tomadas fora do país.

Mas o resultado geral também revela a capacidade de reação da indústria catarinense. A União Europeia se consolidou como principal destino das exportações do Estado, com crescimento de 11,5%. Japão, México, Paraguai e China também ampliaram as compras de produtos catarinenses.

É uma mudança importante. Quando um mercado fecha portas, a alternativa não pode ser esperar que ele volte ao normal. É preciso abrir novas portas. E é exatamente isso que a diversificação comercial representa.

A proteína animal foi decisiva nesse movimento. As exportações de carne de aves somaram US$ 1,13 bilhão no semestre, impulsionadas por mercados como China, México, Chile, Coreia do Sul e Japão. A carne suína alcançou US$ 873,9 milhões em vendas externas, com destaque para o avanço no mercado japonês.

Santa Catarina tem uma indústria diversificada, competitiva e acostumada a enfrentar desafios. Mas o bom desempenho das carnes não pode esconder a situação de setores que ainda enfrentam dificuldades, como madeira e móveis.

Também chama atenção o crescimento das importações, que chegaram a US$ 18,15 bilhões no primeiro semestre, alta de 7,9%. Cobre, pneus, peças automotivas e automóveis estão entre os principais itens adquiridos no exterior. É um sinal da força da atividade industrial, mas também reforça a necessidade de ampliar a competitividade interna e reduzir vulnerabilidades.

O resultado do semestre mostra que a economia catarinense soube reagir. Porém, a lição é clara: depender de poucos compradores ou de um único mercado pode ser arriscado. Exportar é vender para o mundo, mas também é entender o mundo, antecipar movimentos e ter agilidade para mudar de rota quando necessário.

*Imagem: internet

Anuncie aqui