22 JUN 2026
Segurança, planejamento e qualidade não são detalhes. Eleição no CREA-SC reforça o debate sobre responsabilidade técnica
Uma ponte que permanece segura, uma escola bem projetada, uma estrada executada com qualidade, uma lavoura produtiva ou uma obra pública que entrega o que prometeu têm algo em comum: decisões técnicas que, na maior parte do tempo, passam despercebidas.
É assim que costuma funcionar. A sociedade não vê a engenharia, a agronomia, as geociências e tantas outras áreas técnicas no cotidiano até que alguma falha revele sua ausência. Quando uma construção apresenta problemas, uma obra é paralisada, uma estrutura se torna insegura ou um município enfrenta dificuldades para planejar seu crescimento, a discussão deixa de ser apenas técnica. Passa a ser uma questão de interesse público.
É nesse espaço que está o papel do Sistema Confea/Crea e Mútua. Mais do que registrar profissionais ou fiscalizar documentos, o sistema atua na defesa da responsabilidade técnica em atividades que interferem diretamente na segurança, na infraestrutura, no meio ambiente, na produção de alimentos e na qualidade de vida da população.
Em Santa Catarina, a eleição para a presidência do CREA-SC, marcada para 3 de julho, recoloca esse debate em evidência. Não se trata apenas da escolha de uma diretoria por engenheiros, agrônomos, geólogos, geógrafos, meteorologistas, tecnólogos e técnicos de segurança do trabalho. Trata-se também de discutir qual deve ser o papel de uma entidade que acompanha setores decisivos para o desenvolvimento do Estado.
Candidato à presidência do CREA-SC, o engenheiro Felipe Penter defende uma atuação que mantenha a fiscalização como eixo central, mas avance na aproximação com os profissionais, entidades de classe e municípios. A proposta é pertinente. Fiscalizar é uma atribuição essencial, especialmente no combate ao exercício ilegal das profissões e à realização de obras ou serviços sem responsável técnico. Mas o Conselho também precisa ser percebido como uma instituição capaz de orientar, qualificar e contribuir com soluções.
Entre as propostas apresentadas por Penter está a criação de um Observatório do Piso Salarial, voltado ao acompanhamento de editais e vagas que desrespeitem a legislação profissional. A valorização das categorias não interessa apenas a quem atua nelas. Profissionais reconhecidos, remunerados de forma adequada e com atribuições respeitadas tendem a entregar serviços mais qualificados em áreas que impactam toda a sociedade.
Outro ponto é a modernização da fiscalização, com uso de dados e tecnologia para identificar irregularidades e tornar os processos mais eficientes. A intenção de ampliar serviços digitais, aperfeiçoar o sistema de Anotação de Responsabilidade Técnica e reduzir a burocracia também responde a uma demanda antiga de quem depende diariamente da estrutura do Conselho.
Mas talvez uma das discussões mais importantes esteja na relação com os municípios. Santa Catarina cresce, enfrenta desafios de mobilidade, habitação, drenagem urbana, prevenção de desastres e expansão de áreas urbanas. Em muitos casos, as prefeituras precisam de apoio técnico para transformar boas intenções em projetos viáveis, obras seguras e políticas públicas duradouras.
O CREA-SC pode ser um parceiro estratégico nesse processo. Não substitui o papel dos gestores públicos, nem das equipes técnicas municipais, mas pode fortalecer a cultura do planejamento e da responsabilidade profissional em decisões que custam recursos públicos e afetam diretamente a população.
A eleição de julho interessa, antes de tudo, aos profissionais habilitados a votar. Mas o debate ultrapassa a categoria. Porque quando uma cidade funciona melhor, quando uma obra é bem executada e quando o desenvolvimento vem acompanhado de segurança e planejamento, a sociedade inteira colhe o resultado.
*Foto: Felipe Penter, candidato à presidência do CREA-SC, ao lado do candidato à reeleição do Confea, Vinícius Marchese


